“Humanismo secular” — uma nova religião ou filosofia antiga?

sábado, 14 de julho de 2012


Pregadores protestantes acusam o ‘humanismo secular’ de conspiração contra a crença em Deus e contra os valores morais. Os que chamam a si mesmos de ‘humanistas’ dizem que são vítimas da perseguição. O que “é” precisamente o humanismo, e que atitude para com este deve tomar o cristão?

“O HUMANISMO secular tornou-se a religião dos Estados Unidos”, diz o evangelista Jerry Falwell que prega pela televisão. “Precisamos destituir dos cargos públicos a todos os humanistas e substituí-los por líderes políticos pró-moral”, admoesta o pregador Tim LaHaye que escreveu um livro sobre ‘a ameaça humanista’.

Declarações como essas atraíram recentemente atenção e geraram temor na imprensa americana. “A nova direita fundamentalista mudou suas . . . táticas para confrontar-se com um novo inimigo mortal”, comenta a revista Newsweek. “O alvo de ataque é o que os cristãos fundamentalistas chamam de ‘humanismo’ — e sua campanha contra qualquer pessoa que consideram humanista está em perigo de se tornar tão virulenta quanto a cruzada anticomunista da década de 1950.”

Que é precisamente o “humanismo secular”? Segundo a revista Time: “Tornou-se uma palavra-código dos da nova direita para designar os preceitos e as práticas de quase todos os que discordam deles, não sendo todavia comunistas.”

Na realidade, há quase tantas definições de “humanismo” quanto há “humanistas” — ou “anti-humanistas”. Tradicionalmente, o humanismo está associado com a Renascença. Naquela época, a Europa, especialmente a Itália, estava submersa nos antigos manuscritos procedentes de Bizâncio, sitiada pelos turcos. Isso resultou numa onda de entusiasmo pela antiga cultura greco-romana por parte das pessoas que estavam cansadas da árida escolástica medieval. Após mil anos de estudo sobre Deus, sob a Igreja Católica, os europeus da Renascença ficaram radiantes de imitar os antigos e de glorificar o homem, como inovação.
“O livre pensamento e a livre conduta dos gregos seguidores de Péricles ou dos romanos clássicos criavam em muitos humanistas um anelo que esmagava nos seus corações o código cristão de humildade, continência e desprendimento do mundo”, comenta o historiador Will Durant, “e se perguntavam por que deviam sujeitar seu corpo, sua mente e sua alma à regra de eclesiásticos que se convertiam eles próprios agora alegremente ao mundo”.
Mas os humanistas da Renascença lançaram fora a religião e o cristianismo. “Em grande parte”, segundo observa Durant, os humanistas “agiram como se o cristianismo tivesse sido um mito . . . que não devia ser levado a sério por mentes emancipadas”.
Nos séculos que se seguiram, o estudo dos antigos clássicos quase se tornou uma nova religião para os humanistas europeus. Mas, quanto mais se estudavam os escritores da antiguidade, tanto mais tinha de admitir-se que as idéias deles eram amiúde erradas, e até mesmo os maiores clássicos estavam longe da perfeição. No século 19, “as civilizações clássicas . . . tiveram de ser transferidas do domínio idealista para o da relatividade histórica”, observa a Encyclopœdia Britannica. Em que podiam acreditar os humanistas agora?
A resposta, pelo menos para alguns humanistas, veio em 1933, com a publicação nos Estados Unidos de um documento chamado Manifesto Humanista. “Era substancialmente uma profissão de ateísmo antropológico baseado na teoria da evolução”, segundo o erudito Cornelio Fabro. Isto foi seguido em 1973 pelo Segundo Manifesto Humanista que denunciava a religião a favor do método científico. A ciência se tornara o novo deus desses humanistas. Estavam entre os que assinaram o Segundo Manifesto Humanista diversos clérigos.
Portanto, é fácil entender por que os pregadores conservadores da cristandade estão contrariados com o humanismo. Naturalmente, documentos como os Manifestos Humanistas não refletem as crenças de todos os humanistas, e esta própria confusão entre os humanistas sobre sua identidade indica dissensões. “A unidade e a identidade de conceito da erudição humanista estão agora finalmente esmagadas”, admite o professor de filosofia Georges Paul Gusdorf.
Os humanistas gostam de citar o antigo filósofo grego Protágoras que disse que “o homem é a medida de todas as coisas”. Com isso, ele queria dizer que é impossível descobrir uma verdade absoluta. Tal raciocínio não pode coexistir com o verdadeiro cristianismo, pois os cristãos estão convencidos de ter encontrado realmente a verdade, e que esta os libertou. (João 8:32) Os cristãos reconhecem que Jeová Deus e seu Filho, Jesus Cristo, são a “medida de todas as coisas”. — Efésios 5,1; 1 Pedro 2,21.
É apropriado, pois, que os cristãos falem sem rebuço contra o humanismo, quer em sua forma ateísta, quer “clássica”. O verdadeiro cristão não poderá aceitar os princípios do humanismo sem comprometer sua própria integridade para com Deus.

“As armas de nosso combate [espiritual] não são carnais”, disse ele. “Pois estamos demolindo raciocínios e toda coisa altiva levantada contra o conhecimento de Deus.” — 2 Coríntios 10,4.5.

As várias formas de humanismo popular hoje são certamente ‘coisas altivas levantadas contra o conhecimento de Deus’, mas os verdadeiros cristãos não combatem o humanismo com ‘armas carnais’ numa luta política apenas. Como o poderiam, visto que Jesus tornou claro que seus seguidores ‘não fazem parte do mundo’? (João 15,19) Em vez disso, os verdadeiros cristãos se sentem felizes de travar um combate espiritual contra o humanismo e contra todos os outros “ismos” de doutrinas dos nossos tempos confusos. De que maneira? Levando a Palavra de Deus e a mensagem da Igreja, a "coluna e sustentáculo da fé". — 1 Timóteo 3,14-15.

Conheçam a ótima página "Tudo por São Paulo 1932"

domingo, 8 de julho de 2012


Dica excelente. Visitem http://tudoporsaopaulo1932.blogspot.com.br/ e saibam mais sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, sua história e seus grandes e imortais heróis.

Alan Guth ensina física a Stephen Hawking

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Bóson de Higgs: a partícula da fé

Há paralelos entre a busca da "partícula Deus" e a busca de Deus, escreve Alister McGrath.

 A traços gráficos que mostram de dois fótons de alta energia medidos no Cern - um salto quântico
A traços gráficos que mostram de dois fótons de alta energia medidos no Cern  Foto: Getty Images
Em 1994, o Prêmio Nobel Leon Lederman veio com um apelido para o bóson de Higgs - a partícula misteriosa proposta pelo físico Peter Higgs na década de 1960 para explicar a origem da massa. Os jornalistas adoraram o nome - "a partícula Deus" - o que provavelmente explica o grande interesse da mídia recentemente no trabalho do Large Hadron Collider. A maioria dos cientistas odiava, considerando-o enganoso e simplista. Talvez sim. Mas certamente fez com que mais pessoas falassem sobre física.
E talvez não seja um apelido ruim, afinal. Lederman inventou o nome de "partícula Deus", porque era "tão central para o estado da física atual, tão crucial para nossa compreensão da estrutura da matéria, mas tão difícil." Ninguém a tinha visto em 1994. E eles são ainda não tem certeza se realmente a viram. No entanto, isto não é visto como um enorme problema. A ideia parecia fazer sentido tanto de coisas que a existência da "partícula Deus" passou a ser um dado adquirido. Tornou-se, eu diria, uma "partícula de fé". As observações não provam a existência do bóson de Higgs. Pelo contrário, a ideia do bóson de Higgs explicou observações tão bem que aqueles que a conhecem chegaram a acreditar que realmente existe. Um dia, a tecnologia pode ser boa o suficiente para permitir que ela seja efetivamente observada. Mas nós não precisamos esperar até lá, antes de começar a acreditar nela.
Alguns dizem que a ciência é sobre o que pode ser provado. Os sábios nos dizem que é realmente em oferecer as melhores explicações sobre o que vemos, percebendo que essas explicações muitas vezes não podem ser provadas, e às vezes podem estar além da prova. A ciência muitas vezes propõe a existência de entidades invisíveis (e muitas vezes não detectáveis), tais como a matéria escura - para explicar o que pode ser visto. A razão pela qual o bóson de Higgs é levado tão a sério na ciência não é porque a sua existência foi provada, mas porque faz tanto sentido das observações que sua existência parece assegurada. Em outras palavras, o seu poder para explicar é visto como um indicador da sua verdade.
Há um paralelo óbvio e importante com a maneira como os crentes religiosos pensam em Deus. Enquanto alguns pedem prova e evidência de que Deus existe, vejo isso como irrealista. Os crentes afirmam que a existência de Deus dá a melhor estrutura para dar sentido ao mundo. Deus é como uma lente, que traz as coisas em foco mais claro. Como o psicólogo de Harvard William James disse anos atrás, a fé religiosa infere "a existência de uma ordem invisível" em que os "enigmas da ordem natural" podem ser explicado.
Deus faz mais do que dar sentido às coisas. Mas para os crentes religiosos, é um grande começo.

Cortesia ATEA: Caos & Regresso


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagine que certo homem de boa aparência esteja andando pelas ruas e falando sobre liberdade. As pessoas ficam realmente comovidas com seu discurso e começam a segui-lo. O homem fala sobre como a liberdade é bela, e como os homens que são contra a liberdade roubam a beleza do mundo. "A liberdade é para todos; ninguém pode tratar uma pessoa como sua propriedade", ele diz. Em uma sociedade em que homens dominassem outros homens como animais, tais palavras soariam como as palavras de um profeta, e todos os escravos desejariam que suas profecias fossem verdadeiras. Mas agora imagine esse mesmo homem chegando em sua casa, após um longo dia de apologia à liberdade: ele senta, tira seus sapatos e, de repente, um de seus escravos se aproxima para receber alguma ordem... Antes de fazer qualquer comentário sobre esse homem, adiantarei algo fundamental: esse homem é a ATEA.
Poderíamos descrevê-lo de muitas formas, chamando-o de cínico, falso ou hipócrita, mas certamente não haveria sentido em chamá-lo de vítima. Mas é quando o veem como vítima que esse homem se torna ainda mais difícil de compreender, pois a loucura sufoca o pouco que havia de sensatez em seu tipo. Ninguém conseguiria tolerar um homem que pregasse a liberdade e tivesse dez escravos acorrentados ao seu nome, especialmente se o fizesse em uma sociedade que já é livre. Ora, a ATEA faz exatamente isso: denuncia incansavelmente algo chamado intolerância, e age dia após dia de forma notadamente intolerante.
Meu único objetivo, aqui, é evidenciar essa intolerância. E eu não farei isso para que o leitor compreenda as causas da incoerência dessa associação, mas sim para que compreenda isso: que essa associação é o retrato da perversão do bom senso. Eu prometo ao leitor que essa postagem não será extensa como a primeira - Caridade ATEA [1] -, e também prometo que não estou tentando ofender ninguém. Mas defender a verdade pode ser realmente duro, o que não é desculpa para querer mascará-la com eufemismos baratos. C. S. Lewis escreveu algo que devo citar antes de qualquer outra consideração:
Quando um homem melhora, torna-se cada vez mais capaz de perceber o mal que ainda existe dentro de si. Quando um homem piora, torna-se cada vez menos capaz de captar a própria maldade. Um homem moderadamente mau sabe que não é muito bom; um homem completamente mau acha que está coberto de razão. Nós sabemos disso intuitivamente. Entendemos o sono quando estamos acordados, não quando adormecidos. Percebemos os erros de aritmética quando nossa mente está funcionando direito, não no momento em que os cometemos. Compreendemos a natureza da embriaguez quando estamos sóbrios, não quando bêbados. As pessoas boas conhecem tanto o bem quanto o mal; as pessoas más não conhecem nenhum dos dois [2].
O autor expressa aí uma verdade prática que pode ser perfeitamente ilustrada pelo caso da ATEA. Quando se lê o que é publicado na página oficial da associação no Facebook, se tem a impressão de pura desonestidade, mas também se nota que o autor dessas publicações, seja ele quem for, parece não perceber que está sendo desonesto. É possível perceber que a ATEA age como se tivesse de fato fazendo algo bom enquanto faz coisas ruins. Ela prega a liberdade, mas possui escravos: e o que é realmente notável é que ela não percebe que possui escravos, o que não a permite entender porque os outros a acusam de hipócrita ou cínica. É uma associação intolerante e preconceituosa que não admitiria ser chamada dessas coisas, e não é por acaso que muitos de seus seguidores estão sempre dispostos a defendê-la, pois eles também acham tudo que acontece ali muito normal e sensato.
Aqui está um exemplo: um rapaz conta como se tornou ateu e agradece a ATEA por tê-lo ajudado nesse processo. Diz ele: "agradeço pelo trabalho de vocês, de abrirem os olhos da sociedade, porque o pior cego é aquele que não quer ver e graças a vocês eu sou uma pessoa com capacidade de fazer as coisas por mim mesmo" [3]. Não comentarei o depoimento do rapaz, já que quero apenas fornecer evidências para o que digo e evitar ser acusado de inventar algo que não existe. Mas eu direi que, se a ATEA está abrindo os olhos da sociedade, o efeito prático dessa operação é uma sociedade vesga, como se nota pelo exemplo de muitos dos seguidores da página. Muitos deles não enxergam nenhum preconceito ou intolerância ali, e quando alguém acusa a associação dessas coisas - o que é feito até mesmo por ateus -, eles acusam os acusadores de outras coisas, a fim de preservar a imagem e credibilidade da associação.
Mas acusar a ATEA de intolerante baseada em seus seguidores seria como acusar o futebol baseado em torcedores, o que não é justo e não é minha intenção. Na verdade, acredito que seria melhor para a ATEA ser julgada a partir de seus seguidores, pois a impressão que se tem é que parte deles ainda tem a cabeça no lugar, enquanto a associação em si perdeu completamente o juízo, e isso é bastante revelador. Pois a ATEA não pode fazer como comumente faz um cristão que, por exemplo, defende o cristianismo das polêmicas sobre pedofilia. O cristão poderia dizer que o cristianismo não promove tal prática, e que de fato a condena, e que não seria justo atribuir ao cristianismo a causa dos crimes desses e daqueles cristãos. Ora, nem os seguidores nem os responsáveis pela ATEA poderiam fazer algo do tipo: pois são justamente os responsáveis por ela que fazem generalizações como "todo religioso é estúpido". Ninguém ali tem o direito de dizer: "Não! Veja bem: isso foi dito apenas por um seguidor, mas não reflete a ética da associação". Isso seria uma grande mentira, e eu mostrarei por quê.
Analisemos algumas publicações da ATEA no Facebook. Deixarei o link para as imagens, mas caso alguma acabe sendo removida, o leitor poderá encontrar nas referências um printscreen de cada uma delas. Eu deveria ter feito isso com todos os links salvos no rascunho dessa postagem, porque algumas postagens foram removidas e se perderam - por exemplo, uma publicação de dia das mães, 13 de maio, feita pela ATEA, uma das mais ofensivas que eu já vi, que provavelmente fora removida por denúncias. A página Anti-ateísmo republicou a mesma postagem [4], com a diferença de ter adicionado tarjas pretas ao conteúdo e uma legenda em repúdio à atitude da ATEA. Esse tipo de ofensa é exatamente a evidência que suporta tudo que foi dito até aqui, e agora apresentarei mais exemplos.
Comecemos com uma imagem sobre criacionistas [5]. Vemos nela duas definições sobre criacionistas: o fanático, que é "o idiota que acredita que Deus criou o mundo há seis mil anos"; e o moderado, que é "o idiota que acredita na mesma coisa, mas pensa que foi há mais tempo". Ou seja, se você acredita que Deus criou o mundo, você é um idiota. Todo teísta é, portanto, um idiota - o que os responsáveis pela ATEA devem considerar um elogio, levando em conta outras características que atribuem aos crentes em geral. Eu não farei considerações com a finalidade de "refutar" cada imagem comentada, pois meu objetivo é, repito, apenas evidenciar o quão intolerante e preconceituosa é a ATEA.

Agora, eu não sei se a associação tem algum problema particular com a Virgem e com o Papa Bento XVI, mas ela certamente aprecia ofender ambos várias vezes. Insinua, ou melhor, afirma com todas as letras, que a Mãe de Deus fora um traidora [6][7], e se lermos os comentários, encontraremos dezenas de mensagens de apoio às publicações. Um usuário diz que ateus não precisam "ser ofensivos contra outras religiões" para sustentarem seu ateísmo. "Mas, convenhamos... É divertido!", conclui ele. Essas são, aparentemente, as pessoas racionais e superiores que só o ateísmo é capaz de produzir. Quanto às imagens direcionadas ao Papa Bento, são sugestões de que é pedófilo ou de que apoia e encobre a pedofilia [8][9][10]. E eles nunca fornecem evidências para as acusações: apenas afirmam; simplesmente "não perdem a piada".

Também não poderia faltar uma promoção da utopia marxista [11]. "Um mundo sem religiões... seria bem melhor!", eles dizem. Ora, e depois reclamam quando um cristão diz a mesma coisa sobre o ateísmo associando-o aos regimes comunistas, como se a desculpa esfarrapada de que aquilo "não foi em nome do ateísmo" resolvesse o problema. Se a acusação cristã é injusta e se os crimes comunistas não tivessem relação com o ateísmo - o que é mentira -, a ATEA não teria o direito de reclamar de nada, pois está utilizando estereótipos e fazendo generalizações absurdas para chocar sua audiência e quem mais veja suas imagens.

No entanto, nada disso se compara aos ataques direcionados a Cristo. Eles são abundantes: extremamente abundantes, e ocorrem diariamente. Não acredita? Acesse o Mural de fotos da página oficial e veja por conta própria. Em um deles [12], com uma imagem de Jesus sendo crucificado no filme A Paixão de Cristo [13], lemos que "esta pessoa", Jesus, "foi vítima de espancamento por ser homossexual. O Facebook doará 0,50 centavos para cada compartilhamento desta foto". E o que nós, cristãos, temos que fazer? Rir do humor arrojado da ATEA? Nós podemos denunciar a página, e devemos fazê-lo, mas nesse momento eu gostaria apenas de ressaltar uma grande ironia.

A ATEA tem o hábito de questionar o quão injusto é o cristianismo, que, segundo eles, condena os ateus ao inferno pela "mera descrença" [14]. Agora, supondo que isso fosse verdadeiro, será que essas pessoas são tão doentes a ponto de acreditar que todas essas ofensas diretas, todo esse escárnio e desprezo podem ser traduzidos como "mera descrença"? Como que ridicularizar o cristianismo diariamente e agir de forma tão desrespeitosa a tudo que é sagrado para os cristãos pode ser considerado "mera descrença"? Vocês percebem o quão apropriadas são as palavras de C. S. Lewis? Alguém sustentaria, após esses poucos exemplos, que é injusta a minha acusação de que a ATEA é uma associação perversa? A verdade é que fui bastante gentil: trata-se de uma associação criminosa, que curiosamente se propõe a lutar pela lei, "pelo Estado realmente laico".

Quando a associação publicou uma versão forjada de uma história da Turma da Mônica [15], intitulada "O Trauma", muitas pessoas ficaram confusas, e pensaram inclusive que a tira fosse de Maurício de Souza, já que consta sua assinatura no embuste. A ATEA não incluiu nenhuma descrição esclarecendo a imagem, e ali se lê apenas "Cebolinha em O Trauma". Não duvido que a imagem tenha sido fabricada para aparentar ser real e fazer com que as pessoas acreditassem que os problemas de Cebolinha se devessem a um abuso por parte de um padre. O plano foi bem sucedido, pelo que se percebe nos comentários de algumas pessoas. Desmascararam a ATEA no Fórum Realidade [16], mas é óbvio que muito mais pessoas viram apenas a versão falsa, e a ATEA não aparentou ter a menor preocupação com a verdade, já que em nenhum momento se manifestou para encerrar a discussão.

Clique para ampliar!
Essa é a honestidade da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos. Mas, obviamente, guardei o "melhor" para o final. Nada se compara a essa última imagem em termos de desonestidade e estupidez. Em uma mistura de mau-caratismo e imbecilidade típicas, a ATEA conseguiu produzir algo único e inacreditável. Em uma imagem bizarra, juntou uma cruz com a suástica, botou o rosto de Jesus em um uniforme nazista e citou uma frase dita em uma parábola, de modo que pareça que Jesus esteja ordenando a morte de quem quer que o recuse [17]. E muitas pessoas caíram na armadilha: começaram a comentar ironicamente sobre a bondade de Jesus, como se estivessem dando um tapa doloroso na cara dos cristãos. Mas se alguém levou um tapa nessa história, foi uma senhora chamada Justiça. E não foi um tapa só: a imagem já foi removida uma vez, por denúncias, mas a ATEA a republicou na semana passada, 26 de junho.

O leitor poderia desconfiar que essa amostra de imagens não represente a maioria das postagens da ATEA, que passam dos milhares. Mas, novamente, eu sugiro que acesse as Fotos do mural da página oficial da associação, o que permitirá ao leitor perceber que em geral as postagens são ainda piores. Também não culparia o leitor que pensasse que, afinal, essa associação possa parecer um agente do diabo ou algo do tipo, mas já ouvi dizer que o diabo possui uma inteligência peculiar, e se podemos afirmar algo sobre a ATEA com segurança, é isso: que é uma associação enraizada na estupidez, cujos frutos tem sabor de imbecilidade. Mas sobre esse aspecto falarei na próxima postagem dessa série, à qual chamarei Sabedoria ATEA.

Por fim, pergunto: quem, diante de tudo isso, levará a sério uma matéria sobre a ATEA que diz "movimento ateísta quer acabar com preconceito"? [18] Mais que isso: quem levará a sério a própria ATEA quando diz: "Combatemos a intolerância. E enquanto a religião usar da intolerância para se manter, então combateremos a religião"? [19] Por acaso a ATEA parece uma instituição tolerante e livre de preconceitos? Acredito que o meu ponto esteja sólido, mas gostaria de sugerir ao leitor que não apenas leia tudo isso e fique indignado com a associação: lembre-se de, acima de tudo, denunciar todos esses abusos criminosos, sempre que for possível.


Referências:
  1. Caos & Regresso, Caridade ATEA. Disponível em caosdinamico.com.
  2. C. S. Lewis, Cristianismo puro e simples, trad. de Álvaro Oppermann e Marcelo Brandão Cipolia. São Paulo: Martins Fontes, 2008, págs. 44-5.
  3. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 2 de julho de 2012. Disponível em facebook.com. Veja outros exemplos, como esse, na timeline da página.
  4. Anti-ateísmo (anti-atheism), 13 de maio de 2012. Disponível em facebook.com.
  5. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 14 de junho de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  6. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 12 de maio de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  7. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 14 de maio de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  8. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 21 de junho de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  9. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 16 de abril de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  10. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 20 de abril de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  11. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 20 de abril de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  12. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 31 de março de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  13. Mel Gibson, The Passion of the Christ, 2004. Disponível em imdb.com.
  14. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 18 de junho de 2012. Disponível em facebook.com.
  15. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 29 de maio de 2012. Disponível em facebook.com.
  16. Fórum Realidade, "ATEA pede dízimo para fazer histórias falsas da Mônica", 29 de maio de 2012. Disponível em realidade.org.
  17. ATEA - Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, 31 de março de 2012. Disponível em facebook.com (printscreen).
  18. Revista Viver Brasil, "Direito de não ter fé". Disponível em revistaviverbrasil.com.
  19. A ATEA removeu a imagem original, mas ela está disponível em um prinscreen utilizado em uma imagem-resposta de nossa página: 14 de junho de 2012. Disponível em facebook.com.
Fonte: http://www.caosdinamico.com

Preconceito — Como Se Manifesta?

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma pessoa preconcebida não é necessariamente hostil. Nem é, necessariamente, como o senhor que declara, de modo hipócrita, que ‘alguns de seus melhores amigos’ eram deste ou daquele grupo, mas que sentia repulsa diante da idéia de ter tais pessoas como vizinhos — ou como parentes, mesmo que por afinidade. Há vários graus de prevenção. O indivíduo preconceituoso pode deveras ter amigos de outra raça, mas revelar, de forma muito sutil, sentimentos persistentes de superioridade. Talvez prove a paciência deles por tecer comentários de mau gosto, de conotações raciais. Ou, em vez de tratá-los como a iguais, talvez assuma um ar de condescendência, agindo como se, por fazer deles seus amigos, estivesse fazendo-lhes um favor.
Outra forma de alguém demonstrar preconceito é exigir de certas pessoas um padrão mais elevado de consecução, embora lhes preste menor reconhecimento. E, se tais pessoas falham, talvez esteja inclinado a atribuir a falha a motivos raciais. Ou talvez condene, em certa raça, uma conduta que tolera na sua própria raça. Todavia, tal pessoa ficaria tremendamente ressentida diante de qualquer sugestão de que ela tem preconceito, tão completo é o engano de si mesma. Como disse certa vez o salmista: “Porque agiu de modo demasiadamente macio para consigo mesmo aos seus próprios olhos para descobrir seu erro, de modo a odiá-lo.” — Salmo 36,2.

“Quando Chegam aos Quatro Anos”
Por que, porém, as pessoas se tornam preconceituosas? Quão cedo na vida se adquire o preconceito? Em sua obra clássica, intitulada The Nature of Prejudice (A Natureza do Preconceito), o psicólogo social Gordon W. Allport observou a tendência da mente humana de “pensar com o auxílio de categorias”. Isto se evidencia até nas criancinhas. Logo aprendem a diferençar os homens das mulheres, os cães dos gatos, as árvores das flores — e até o “preto” do “branco”. Contrário à noção de que as criancinhas são “imunes à cor”, os pesquisadores concordam que as crianças pequeninas expostas a uma variedade de raças logo começarão a observar “as diferenças nos atributos físicos, tais como a cor da pele, as feições do rosto, os tipos de cabelo, etc. As crianças . . . geralmente atingem plena consciência dos grupos raciais quando chegam aos quatro anos.” — Revista Parents (Pais), julho de 1981.
Mas, será que simplesmente observar tais diferenças torna preconcebidas as crianças? Não necessariamente. Recente estudo comunicado em Child Development (Desenvolvimento Infantil), porém, afirmava que “crianças de 5 anos chegam ao jardim de infância sentindo nítidas preferências para interagir com coleguinhas da mesma cor”. Ainda mais perturbadora foi a observação de que “a tendência das crianças de selecionar companheiros de folguedos da mesma cor aumenta no ano do jardim de infância”. (O grifo é nosso.) Outros pesquisadores concluíram similarmente que as criancinhas amiúde se dão conta não só da raça, mas também das implicações raciais. Uma menininha de quatro anos, chamada Joana, certa vez fez esta declaração de gelar a espinha: “A gente branca pode subir. Os pretinhos têm que descer.”
Os pesquisadores ficam intrigados como é que as crianças desenvolvem tais bias. Suspeita-se fortemente, porém, da influência dos pais da criança. Na verdade, poucos pais talvez mandem diretamente que seus filhos não brinquem com crianças de outra raça. Todavia, se a criança nota que seus pais têm prevenção para com alguém de outra raça, ou não se sentem à vontade com ele, ela poderia similarmente assumir atitudes negativas. As diferenças culturais, a influência dos coleguinhas e dos veículos informativos, e outros fatores, podem então combinar-se para reforçar tal preconceito.

Conheçam o homem em quem Tolkien se inspirou para criar Aragorn


Por que o poeta sul africano Roy Campbell (1901-1957) disse que a Espanha tinha salvado sua alma? Porque foi em Altea, onde em 1935 ele completou sua conversão ao catolicismo. Porque o padre que o batizou mais tarde foi morto pelo ódio à fé. Porque em 1936, em Toledo, viu morrerem pelo ódio antireligioso seus amigos mártires carmelitas. Porque eles lhe confiaram os manuscritos de San Juan de la Cruz. Porque ele arriscou sua vida para evitar a sua destruição pelos militantes. Porque ele traduziu em inglês, de forma incomparável, os versos místicos do santo. Porque esvaziou o seu espírito no poema mais intenso sobre a Guerra Civil, Flowering Rifle. Apoiou o lado nacional, devido à ameaça representada pelo comunismo para a civilização cristã. Roy Campbell viveu em Oxford em uma época única literária. Juntou-se a Virginia Woolf e ao círculo de Bloomsbury e se desligou depois, por causa do desprezo do liberalismo decadente às virtudes mais básicas. Seu casamento com Mary Garman, apesar de se amarem até o fim, trouxe-lhe muitos sofrimentos. E era um amigo de C.S. Lewis, Evelyn Waugh, TS Eliot e JRR Tolkien, que se baseou nele para criar um de seus personagens em O Senhor dos Anéis: ninguém menos que Aragorn. Uma vida, então que valeu a pena ter, e que fosse contada por um emérito biógrafo como Joseph Pearce, resgatando para a Espanha, a memória de um homem que a amou até as últimas consequências.