"Ai de ti, Corazim!” — Por quê?

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

VOCÊ com certeza não desejaria que Deus pronunciasse uma maldição contra a sua pessoa, não é mesmo? Imagine, então, como os judeus de três cidades galiléias devem ter-se sentido quando o Filho e Juiz de Deus declarou:
Ai de ti, Corazim, ai de ti, Betsaida, porque, se em Tiro e Sidon se fizeram feitos poderosos, que estavam em vós, há muito tempo teriam se arrependido em cilício e cinza. Mas, para Tiro e Sidon, haverá mais conforto no dia do Juízo do que para vós.E tu, Cafarnaum, que és elevada ao céu, serás levada ao inferno.Aquele que vos ouve, a mim me ouve, e aquele que vos despreza, a mim me rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou. (Lc. 10, 13-16 - Siríaco Peshitta)
O panorama acima focaliza uma de tais cidades — Corazim. O que, então, devemos saber a respeito de Corazim?
Bem, observe a localização da antiga Corazim. As suas ruínas são vistas no primeiro plano da foto. Veja a seguir as árvores no litoral norte do mar da Galiléia. É ali que ficava Cafarnaum, distante uns 3 quilômetros. A perspectiva dessa foto aérea talvez sugira um terreno um tanto plano, no entanto, Corazim na realidade situava-se em elevações a cerca de 270 metros acima do nível do mar.
Também é útil saber que a uma distância mais ou menos idêntica a partir de Cafarnaum, ao longo da costa, ficava Betsaida. Assim, ao censurar essas três cidades, Jesus se concentrava numa pequena região em volta de seu centro de atividade, na Galiléia. (Mateus 4,13; Marcos 2,1; Lucas 4,31) Por que pronunciou Jesus uma maldição contra elas?
Jesus passou muito tempo com os apóstolos nessa região, e realizou muitas obras poderosas ali. Perto de Betsaida ele milagrosamente alimentou mais de 5.000 pessoas, e restaurou a visão de um cego. (Marcos 8,22-25; Lucas 9,10-17) Entre seus milagres realizados em Cafarnaum, ou perto dali, constam a cura de um menino à distância, a cura de um endemoninhado, fazer um paralítico andar e ressuscitar a filha de um dirigente de sinagoga. (Marcos 2,1-12; 5,1-43; Lucas 4,31-37; João 4,46-54) Embora a Bíblia não especifique que “obras poderosas” se relacionam com Corazim, Mateus Lc. 10,13 indica que Jesus realizou milagres ali, ou perto dali. Não obstante, as pessoas não se arrependeram e não depositaram fé nele como o Messias que tinha o apoio de Deus.
Vendo a ilustração acompanhante, de Jesus realizando tais obras, você talvez se pergunte: ‘Como podiam as pessoas de Corazim ser tão insensíveis?’ Talvez se encontre uma pista entre as pedras de basalto preto que os arqueólogos desenterraram nessas ruínas, que datam do terceiro século d.C.. Tais restos incluem uma sinagoga no centro da cidade e áreas residenciais próximas. Algumas das pedras da sinagoga tinham entalhes incomuns. De quê? De figuras da mitologia grega, como uma Medusa de cabelos em forma de serpentes, e um centauro, metade homem, metade cavalo. Visto que o judaísmo devia ter-se oposto fortemente a tais esculturas idólatras, por que os líderes religiosos em Corazim as permitiram em sua Sinagoga?
Uma teoria é que “talvez fosse tradicional na localidade uma atitude liberal”, dando a Jesus motivos para esperar uma boa aceitação na cidade. Mas, se aqueles frisos na sinagoga forem sintomáticos de uma atitude prevalecente nos dias de Jesus, esta poderia ser que a maioria das pessoas em Corazim não estava particularmente interessada em adorar “o Pai com espírito e verdade”. (João 4,23) Mostraram isso por não aceitarem o Messias operador de milagres.
Jesus afirma com muita clareza que Tiro e Sidom teriam se arrependido se a grande graça lhes tivesse sido revelada. O fato de que Jesus afirma que faltou apenas uma medida maior de graça para que muitas pessoas fossem salvas da perdição não deve levar a indagações indevidas e descabidas.

Não devemos perguntar aqui: “Por que Deus não lhes deu a medida maior da graça?” ou: “Será que ainda a obterão, para que se arrependam?” Deve bastar, e basta, a resposta clara do Senhor: “Para eles será mais suportável no dia do juízo” do que para os que dispunham do claro testemunho de Deus e apesar disso o rejeitaram!

De uma forma geral, o discurso de instrução de Jesus aos setenta termina como a ordem de envio aos doze apóstolos (cf. Mt 10.40). No entanto, cabe notar uma tênue diferença, a saber, que Mateus fala da acolhida dos enviados de Cristo, enquanto Lucas menciona que os discípulos são ouvidos e desprezados. Mateus deixa fora uma ameaça aos que rejeitam os emissários do Senhor.

Com essas palavras finais Jesus mostra a enorme dignidade e a autoridade de seus mensageiros da fé. Eles são representantes de Cristo e de Deus. Quem os despreza lesa a majestade de Deus. Com essas palavras, o Senhor visava fortalecer a consciência de serviço e a coragem dos discípulos.

Quando a proclamação da palavra é realizada de acordo com a ordem de Deus, Cristo fala e atua por intermédio dela (Rm 15,18). Em sua pregação Cristo é ouvido e acolhido. Quem despreza os mensageiros que exercem seu serviço não despreza as pessoas, e sim, Deus (1Ts 4,8).

Ao enviar os 70 discípulos, Jesus novamente usou uma hipérbole envolvendo a insensibilidade de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. Se os galileus conterrâneos de Jesus, de Corazim, que conheciam as suas obras poderosas não o aceitaram, os discípulos não deviam ficar surpresos de que os habitantes de algumas outras cidades em que eles pregassem também não os acolhessem. — Lucas 10,10-15.

Assim, ao contemplarmos as mortas ruínas negras de Corazim, devemos levar a sério o aviso implícito nas palavras de Jesus: Ai de ti.” Deixar de se arrepender, ou mostrar-se insensível à obra de Deus que está sendo feita por Seu povo, pode levar à ruína e a um futuro desolador.

Extraído de revistas cristãs/Rienecker

2 comentários:

Isabel car disse...

Mto forte!

Unknown disse...

Que coraçoes duros amoleçam. A z sul do rio de janeiro é uma corazim lugar dificil de falar de Jesus. Cidade grande praia td junto.

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