Violência — estamos enfrentando o desafio?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Grande  parte dos crimes que acontecem na Grã-Bretanha são cometidos por jovens em idade escolar. Uma professora de Sheffield, Inglaterra, disse que ela dava aulas a uma turma de 15 alunos numa escola em que somente 3 não tinham ficha na polícia. Com efeito, até mesmo criancinhas do jardim de infância estão agora envolvidas na violência nas salas de aula.
“Os corpos docentes das escolas maternais sofrem graves agressões da parte dos seus alunos, e pode-se imaginar o terror que isso gera no coração de outras crianças”, disse uma professora do condado de York. Acrescentou ela: “Se uma criança, em sua primeira escola, pode infligir esta espécie de dano, o que elas não irão fazer no nível secundário, caso nós não façamos nada a respeito?”
Mas, por que será que as crianças e os jovens estão tão inclinados a ser violentos?

O Papel da TV e de Filmes
Mais crianças e jovens estão vendo programas e filmes violentos e sádicos na televisão, e muitas autoridades afirmam ser este um dos fatores do aumento da violência. Na Austrália, para exemplificar, fez-se uma pesquisa sobre os hábitos de ver TV de cerca de 1.500 menores, entre 10 e 11 anos. A junta de classificação cinematográfica australiana classificou como impróprios a metade de todos os filmes que os menores tinham visto. Todavia, um terço dos menores disse que eles apreciaram especialmente as cenas violentas.
Um deles explicou: “Gostei da parte em que a garota decepou a cabeça do pai e a comeu como se fosse um bolo de aniversário.” A respeito de outro filme, uma criança disse: “Gostei quando o ser do outro mundo comeu a cabeça da mulher e ficou arrotando.” Ainda outro menor disse: “Gostei da cena em que eles cortaram em pedacinhos a cabeça da dona e jorrou dela um líquido todo branco.”
Os pesquisadores concluíram que, em resultado de verem este tipo de coisa, tanto os menores como os adultos estão criando gosto pela violência. Eles também disseram que os pais estão sendo intimidados ou seduzidos, por fortes pressões sociais canalizadas através dos filhos, a permitir que seus filhos vejam tais filmes.
A “Independent Broadcasting Authority” da Grã-Bretanha realizou um estudo sobre o efeito de se ver programas que destacam a violência. Dois milhões de telespectadores, ou 6 por cento da audiência total, disseram que, depois de verem programas em que havia crimes, eles às vezes se sentiam “bem violentos”. O jornal The Times, de Londres, ao noticiar tais comprovações, disse que os menores não entendem que a violência na tela não é real, e têm a impressão de que o assassinato é um “assunto do dia-a-dia”. Será de admirar que tantos menores fiquem habituados com a violência e não tenham muitos escrúpulos de perpetrá-la eles mesmos?

Escolas e Pais
Alguns atribuem grande parte da culpa pelo aumento da violência à falha das escolas em ensinar valores morais. A respeito desta falha, um informe preparado na Grã-Bretanha, por dois professores que ensinam no centro da cidade, diz: “Trata-se duma situação trágica, de uma situação que muito contribui para explicar a crescente violência em nossa sociedade.” Mas será justo culpar os professores de falharem em instilar valores morais nas crianças?
Um informe da Associação Nacional de Diretores de Escola da Grã-Bretanha responde: “Deterioram-se os padrões de comportamento na escola e na sociedade, mas nunca é demais enfatizar a influência que as escolas podem exercer sobre a sociedade, através dos jovens.” Visto que a disposição duma criança já está formada muito antes de ele ou ela ir para a escola, o informe dizia: ‘Há pouca coisa que o professor pode fazer para mudar isso.’
Roy Mudd, vice-diretor da Escola Para Rapazes da Cidade de Portsmouth, igualmente sublinha que os professores, que apenas vêem os alunos por algumas horas por dia, ‘nada podem fazer para colocar fibra moral adicional na dieta escolar, a menos que os pais tenham ensinado a seus filhos a diferençar o certo do errado’.
Não há dúvida, a base para a saudável conduta moral tem de ser lançada, pelos pais, bem cedo na vida. São eles, em vez de as escolas, que têm de envolver-se primariamente em ensinar valores morais a seus filhos, se há de ocorrer uma inversão da escalonante violência. Todavia, nem os pais, nem as escolas, estão enfrentando o desafio da violência, ou, pelo menos, não é bastante o número daqueles que fazem isso.

Que Dizer dos Agentes da Lei?
Estão os agentes da lei enfrentando este desafio? Na Colômbia, América do Sul, relata-se que já foram assassinados 62 juízes, por recusarem o suborno oferecido pelos traficantes de cocaína. Semelhantemente, no condado de Los Angeles, EUA, os agentes da lei não conseguiram impedir as 387 mortes relacionadas com quadrilhas de traficantes de tóxicos, em 1987. Os agentes da lei, em muitos de tais lugares, estão reconhecendo que, especialmente devido aos tóxicos, eles estão enfrentando uma crise incontrolável. Mas, por que não conseguem enfrentar tal desafio?
É devido ao colapso da lei e da ordem em todo o mundo. Na Grã-Bretanha, o chefe de polícia de Surrey, Brian Hayes, explica: “Antigamente, a polícia mandava a um grupo que não parasse ali, e eles não paravam. Hoje em dia, a polícia seria atacada.” O jornal The Sunday Times, de Londres, comenta que a sociedade muitas vezes “inverteu os valores, atribuindo à polícia o papel de bandido e aos violadores da lei o papel de mocinho”.
Richard Kinsey, preletor sobre criminologia da Universidade de Edimburgo, diz: “Na Escócia, mandamos mais gente para a prisão do que em qualquer outro país da Europa, e duas vezes e meia mais do que no sul [Inglaterra].” Com que resultado? Em 1988, a polícia de Strathclyde, Glasgow, informou haver um aumento de 20 por cento nos crimes violentos num período de 12 meses. Com leve tom irônico, Kinsey conclui: “Nós, na Escócia, observamos ser inútil a chave da porta da cela.”

Um Desafio Não-Vencido
Um editorial da revista Nursing Times, da Grã-Bretanha, ilustrava o fracasso de se enfrentar o desafio da violência. Dizia: “Ninguém avisa as enfermeiras novatas de que elas estão aderindo a uma profissão perigosa — talvez devessem.” O editorial prossegue dizendo que as comprovações da Comissão de Saúde e Segurança são de que as enfermeiras enfrentam “um nível de violência e de intimidação muitas vezes maior do que a população como um todo”.
Entre os lugares mais perigosos para uma enfermeira trabalhar acha-se o A&E (sigla de Acidentes e Emergências; um Pronto Socorro), como é chamado na Grã-Bretanha. Estes lugares podem ser especialmente violentos nos fins de semana, quando os setores comuns do hospital estão fechados. Despertai! entrevistou uma ex-enfermeira que descreveu o trabalho feito num A&E de Londres.
“O hospital estava situado num local onde havia muitos toxicômanos, e tínhamos uma área específica do setor de acidentes reservada para eles. Ali podiam ser deixados dormindo até passar o efeito duma superdose, longe dos outros pacientes. Vez por outra, à medida que eles voltavam a si, eles se tornavam muito violentos. Essa era uma experiência aterrorizante.
“Já vi baixarem ao hospital algumas pessoas gravemente feridas numa briga de bandos, e que continuaram brigando no A&E. Com muita freqüência, a violência pode voltar-se contra a equipe de enfermagem, sem nenhum aviso. Quando entrei para a classe de enfermeiras, um uniforme de enfermeira parecia dar-nos uma espécie de proteção — mas isto não acontece mais hoje.”
A violência põe a todos nós na defensiva. Declarações tais como: “Hoje em dia ninguém está seguro”, e: “Parece que não se está mais seguro em parte alguma”, são cada vez mais comuns. Os pais velam por seus filhos, receosos de deixá-los fora da vista. As mulheres vivem com medo de serem agredidas e violadas. Os idosos se fecham dentro de casa. Seja de que ângulo for, este é um quadro triste.
Isto nos leva à pergunta vital: O que podemos fazer quando confrontados com a violência?

1 comentários:

Alexandre disse...

Excelente artigo. Como sempre, entre tantas as teorias, ninguém fala da causa principal da violência: a crise da família

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