“Humanismo secular” — uma nova religião ou filosofia antiga?

sábado, 14 de julho de 2012


Pregadores protestantes acusam o ‘humanismo secular’ de conspiração contra a crença em Deus e contra os valores morais. Os que chamam a si mesmos de ‘humanistas’ dizem que são vítimas da perseguição. O que “é” precisamente o humanismo, e que atitude para com este deve tomar o cristão?

“O HUMANISMO secular tornou-se a religião dos Estados Unidos”, diz o evangelista Jerry Falwell que prega pela televisão. “Precisamos destituir dos cargos públicos a todos os humanistas e substituí-los por líderes políticos pró-moral”, admoesta o pregador Tim LaHaye que escreveu um livro sobre ‘a ameaça humanista’.

Declarações como essas atraíram recentemente atenção e geraram temor na imprensa americana. “A nova direita fundamentalista mudou suas . . . táticas para confrontar-se com um novo inimigo mortal”, comenta a revista Newsweek. “O alvo de ataque é o que os cristãos fundamentalistas chamam de ‘humanismo’ — e sua campanha contra qualquer pessoa que consideram humanista está em perigo de se tornar tão virulenta quanto a cruzada anticomunista da década de 1950.”

Que é precisamente o “humanismo secular”? Segundo a revista Time: “Tornou-se uma palavra-código dos da nova direita para designar os preceitos e as práticas de quase todos os que discordam deles, não sendo todavia comunistas.”

Na realidade, há quase tantas definições de “humanismo” quanto há “humanistas” — ou “anti-humanistas”. Tradicionalmente, o humanismo está associado com a Renascença. Naquela época, a Europa, especialmente a Itália, estava submersa nos antigos manuscritos procedentes de Bizâncio, sitiada pelos turcos. Isso resultou numa onda de entusiasmo pela antiga cultura greco-romana por parte das pessoas que estavam cansadas da árida escolástica medieval. Após mil anos de estudo sobre Deus, sob a Igreja Católica, os europeus da Renascença ficaram radiantes de imitar os antigos e de glorificar o homem, como inovação.
“O livre pensamento e a livre conduta dos gregos seguidores de Péricles ou dos romanos clássicos criavam em muitos humanistas um anelo que esmagava nos seus corações o código cristão de humildade, continência e desprendimento do mundo”, comenta o historiador Will Durant, “e se perguntavam por que deviam sujeitar seu corpo, sua mente e sua alma à regra de eclesiásticos que se convertiam eles próprios agora alegremente ao mundo”.
Mas os humanistas da Renascença lançaram fora a religião e o cristianismo. “Em grande parte”, segundo observa Durant, os humanistas “agiram como se o cristianismo tivesse sido um mito . . . que não devia ser levado a sério por mentes emancipadas”.
Nos séculos que se seguiram, o estudo dos antigos clássicos quase se tornou uma nova religião para os humanistas europeus. Mas, quanto mais se estudavam os escritores da antiguidade, tanto mais tinha de admitir-se que as idéias deles eram amiúde erradas, e até mesmo os maiores clássicos estavam longe da perfeição. No século 19, “as civilizações clássicas . . . tiveram de ser transferidas do domínio idealista para o da relatividade histórica”, observa a Encyclopœdia Britannica. Em que podiam acreditar os humanistas agora?
A resposta, pelo menos para alguns humanistas, veio em 1933, com a publicação nos Estados Unidos de um documento chamado Manifesto Humanista. “Era substancialmente uma profissão de ateísmo antropológico baseado na teoria da evolução”, segundo o erudito Cornelio Fabro. Isto foi seguido em 1973 pelo Segundo Manifesto Humanista que denunciava a religião a favor do método científico. A ciência se tornara o novo deus desses humanistas. Estavam entre os que assinaram o Segundo Manifesto Humanista diversos clérigos.
Portanto, é fácil entender por que os pregadores conservadores da cristandade estão contrariados com o humanismo. Naturalmente, documentos como os Manifestos Humanistas não refletem as crenças de todos os humanistas, e esta própria confusão entre os humanistas sobre sua identidade indica dissensões. “A unidade e a identidade de conceito da erudição humanista estão agora finalmente esmagadas”, admite o professor de filosofia Georges Paul Gusdorf.
Os humanistas gostam de citar o antigo filósofo grego Protágoras que disse que “o homem é a medida de todas as coisas”. Com isso, ele queria dizer que é impossível descobrir uma verdade absoluta. Tal raciocínio não pode coexistir com o verdadeiro cristianismo, pois os cristãos estão convencidos de ter encontrado realmente a verdade, e que esta os libertou. (João 8:32) Os cristãos reconhecem que Jeová Deus e seu Filho, Jesus Cristo, são a “medida de todas as coisas”. — Efésios 5,1; 1 Pedro 2,21.
É apropriado, pois, que os cristãos falem sem rebuço contra o humanismo, quer em sua forma ateísta, quer “clássica”. O verdadeiro cristão não poderá aceitar os princípios do humanismo sem comprometer sua própria integridade para com Deus.

“As armas de nosso combate [espiritual] não são carnais”, disse ele. “Pois estamos demolindo raciocínios e toda coisa altiva levantada contra o conhecimento de Deus.” — 2 Coríntios 10,4.5.

As várias formas de humanismo popular hoje são certamente ‘coisas altivas levantadas contra o conhecimento de Deus’, mas os verdadeiros cristãos não combatem o humanismo com ‘armas carnais’ numa luta política apenas. Como o poderiam, visto que Jesus tornou claro que seus seguidores ‘não fazem parte do mundo’? (João 15,19) Em vez disso, os verdadeiros cristãos se sentem felizes de travar um combate espiritual contra o humanismo e contra todos os outros “ismos” de doutrinas dos nossos tempos confusos. De que maneira? Levando a Palavra de Deus e a mensagem da Igreja, a "coluna e sustentáculo da fé". — 1 Timóteo 3,14-15.

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