Quem era o evangelista Marcos

segunda-feira, 25 de abril de 2011


Marcos escreveu um dos quatro livros da Bíblia sobre a vida de Jesus. É o mais curto e o mais fácil de ler. Quem era Marcos? Você acha que ele conheceu Jesus? —  Vamos ver que provas difíceis Marcos enfrentou e descobrir por que ele nunca desistiu de ser cristão.
Marcos é mencionado por nome pela primeira vez na Bíblia depois que o Rei Herodes Agripa prendeu o apóstolo Pedro. Certa noite, um anjo libertou Pedro, que imediatamente foi para a casa de Maria, mãe de Marcos, que morava em Jerusalém. A libertação de Pedro da prisão ocorreu uns dez anos após a morte de Jesus na Páscoa de 33 d.C.. — Atos 12,1-5; 11-17.
Você sabe por que Pedro foi para a casa de Maria? — Porque provavelmente ele conhecia alguns membros da sua família e sabia que os discípulos de Jesus realizavam reuniões na casa dela. O primo de Marcos, Barnabé, era um discípulo de Jesus já por muito tempo, pelo menos desde a Festividade de Pentecostes de 33. A generosidade que ele mostrou naquele tempo aos novos discípulos é mencionada na Bíblia. Portanto, Jesus talvez conhecesse Barnabé, a tia dele Maria e o filho dela, Marcos. — Atos 4,36-37; Colossenses 4,10.
No seu Evangelho, Marcos escreveu que na noite em que Jesus foi preso, um jovem usando apenas uma peça de roupa “por cima do corpo nu” estava presente. Quando inimigos agarraram Jesus, Marcos disse que o jovem fugiu. Quem você acha que podia ser esse jovem? — Isso mesmo, talvez fosse Marcos! Portanto, quando Jesus e seus discípulos saíram tarde da noite, parece que Marcos se vestiu às pressas e os seguiu. — Marcos 14,51-52.
Marcos teve uma ótima formação espiritual. Ele talvez estivesse presente quando o Espírito Santo foi derramado em Pentecostes de 33 e estava sempre na companhia de servos fiéis de Deus, como Pedro. Mas também acompanhou seu primo Barnabé, que ajudou Saulo por apresentá-lo a Pedro uns três anos depois de Jesus ter aparecido a Saulo numa visão. Anos mais tarde, Barnabé foi a Tarso para encontrar Saulo. — Atos 9,1-15, 27; 11,22-26; 12,25; Gálatas 1,18-19.
Em 47, Barnabé e Saulo foram escolhidos para o serviço missionário. Levaram Marcos com eles, mas, por uma razão desconhecida, Marcos os deixou mais tarde e voltou para casa em Jerusalém. Saulo, que depois passou a ser conhecido pelo seu nome romano Paulo, ficou furioso. Ele levou a sério o que achava ser uma grave falha da parte de Marcos. — Atos 13,1-3.9.13.
Ao voltarem de sua viagem missionária, Paulo e Barnabé relataram os excelentes resultados que tiveram. (Atos 14,24-28) Meses depois, os dois fizeram planos para voltar e visitar os recém-convertidos nos lugares onde tinham pregado. Barnabé queria levar Marcos, mas sabe o que Paulo pensou? — Ele “não achava correto” fazer isso, porque antes Marcos os havia deixado e voltado para casa. O que aconteceu a seguir sem dúvida deixou Marcos triste.
Paulo e Barnabé perderam a calma, e depois de “um forte acesso de ira”, eles se separaram. Barnabé levou Marcos para pregar em Chipre; Paulo escolheu Silas e revisitou os novos discípulos como já havia planejado. Marcos deve ter ficado muito magoado por ter causado problemas entre Paulo e Barnabé. — Atos 15,36-41.
Não sabemos por que naquela ocasião anterior Marcos voltou para casa. Provavelmente ele achou que tinha um bom motivo. De qualquer forma, é evidente que Barnabé tinha certeza de que isso não ia acontecer de novo. E ele tinha razão. Marcos não desistiu! Mais tarde ele serviu como missionário com Pedro em Roma. De lá, Pedro mandou cumprimentos e acrescentou: “E assim também Marcos, meu filho.” — 1 Pedro 5,13.
Com certeza, Pedro e Marcos tinham um relacionamento espiritual muito achegado. Isso fica claro quando lemos o Evangelho de Marcos. O que ele escreveu reflete o que Pedro viu pessoalmente. Por exemplo, compare os relatos de uma tempestade no mar da Galiléia. Marcos acrescenta detalhes a respeito de onde no barco Jesus estava dormindo e em cima do que ele estava dormindo, coisas que um pescador como Pedro notaria. Por que não verificamos isso lendo e comparando juntos os relatos bíblicos de Mateus 8,24; Marcos 4,37-38; e Lucas 8,23?
Mais tarde, quando Paulo estava preso em Roma, ele elogiou Marcos por seu apoio leal. (Colossenses 4,10-11) E quando estava novamente preso ali, Paulo escreveu a Timóteo e pediu-lhe para trazer Marcos, explicando: “Ele me é útil para ministrar.” (2 Timóteo 4,11) De fato, Marcos teve excelentes privilégios de serviço por não desistir!

Marcos, o evangelista dinâmico

ESTÁ sempre com pressa? Tem pouco tempo para ler? Todavia, gostaria de compreender os essenciais da vida e do ensino de Cristo com rapidez, sem atolar-se em teologia ou filosofia? Em outras palavras, gostaria de ter a mensagem cristã resumida? Então tome a Bíblia e leia o livro de Marcos. Dizemos “livro”, embora ocupe apenas umas 25 páginas duma Bíblia comum. E por que mencionamos Marcos, em vez de os outros escritores de Evangelhos, Mateus, Lucas e João? Porque Marcos é o mais conciso e dinâmico dos quatro Evangelhos ou biografias das “boas novas” de Jesus Cristo.
O espírito do Evangelho de Marcos é evidente logo no primeiro capítulo, onde ele usa 11 vezes a palavra grega euthus, “logo” ou “imediatamente”. Transmite constantemente o senso de urgência e iminência à atividade de Cristo por usar esta palavra 42 vezes no seu registro escrito.
No começo do primeiro capítulo, o relato de Marcos diz que Jesus foi batizado pelo seu primo João no rio Jordão. Já nos  versículos 16 a 21, Cristo está escolhendo os quatro discípulos que o acompanham na sua primeira viagem de pregação na Galiléia. Sobre os primeiros dois, Simão e André que eram pescadores, lemos: “E eles abandonaram imediatamente [euthus] as suas redes e o seguiram.” Depois, Jesus escolheu Tiago e João, que estavam consertando suas redes junto com o pai, “e logo [euthus] os chamou”. — Marcos 1,10-43.
O estilo dinâmico  e distintivo, de Marcos, é adicionalmente ilustrado pelo relato nos capítulos nove e dez, onde ele descreve a multidão como “correndo” para Jesus, e, mais tarde, que ela “afluía”. O rico e jovem governante, indagador, “chegou correndo . . . e se pôs de joelhos” diante de Cristo. Somente Marcos, dentre os escritores dos Evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) menciona a corrida nesses casos. — Marcos 9,15.25; 10,17; compare com Mateus 19,16 e Lucas 18,18.

QUEM ERA MARCOS?
Agora talvez pergunte: Quem era Marcos? Foi testemunha ocular dos acontecimentos que descreve? Ou teve outras fontes de informações?
Evidentemente, a mãe de Marcos era crente e permitiu que sua casa fosse usada para reuniões cristãs. Sabemos também, à base do livro de Atos dos Apóstolos, que ele foi ao campo missionário como companheiro de seu primo Barnabé e do apóstolo Paulo. Não era apóstolo, nem foi testemunha ocular de muitos dos acontecimentos que relata. É possível que tenha sido discípulo na época em que Jesus foi preso, sendo que alguns eruditos o identificam com o “certo jovem” que “escapou nu” naquela ocasião. — Atos 12,6-17, 25; 15,36-41; Marcos 14,51-52.
“João, cognominado Marcos”, é mencionado pela primeira vez no registro bíblico em conexão com o livramento milagroso do apóstolo Pedro da prisão, no ano 44 d.C.. Pedro apresentou-se de noite na casa de Marcos, para informar os cristãos reunidos ali sobre o seu livramento. (Atos 12,12.18) Pouco sabia Marcos então que influência este visitante exerceria sobre ele em anos posteriores. Por quê? Porque numa data posterior ele se tornou companheiro íntimo de Pedro, o qual, na sua primeira carta inspirada, até o chama de “Marcos, meu filho”. (1 Pedro 5,13) Embora Marcos tivesse acesso a outras fontes, sem dúvida, seu Evangelho reflete em grande medida a familiaridade de Pedro com a vida e o ministério de Jesus. Que evidência há para se dizer isso? Um simples exemplo ilustrará este ponto.

Algum tempo depois da festa da Páscoa de 31, Jesus encontrava-se na sua segunda viagem de pregação na Galiléia, acompanhado pelos 12 apóstolos. Ele decidiu atravessar o mar da Galiléia de barco. É interessante comparar como Mateus e Marcos contam a história. Primeiro Mateus:
“Ora, eis que se levantou uma grande agitação no mar, de modo que o barco estava sendo coberto pelas ondas; ele [Jesus], porém, estava dormindo.” — Mateus 8,24.
Embora isso transmita a idéia duma tempestade, não salienta em especial a ação, nem mexe com as emoções. Como descreve Marcos o mesmo acontecimento?
“Levantou-se então uma violenta tempestade de vento e as ondas abatiam-se sobre o barco, de modo que o barco estava ficando inundado. Mas ele [Jesus] estava na popa, dormindo sobre um travesseiro.” — Marcos 4,37-38.
Marcos não presenciou o acontecimento. Assim, como podia ele apresentar uma descrição tão realística? Seu informante foi obviamente o pescador Pedro. Notou a descrição vívida da tempestade e de seus efeitos sobre o barco? E o detalhe “na popa” que o coletor de impostos, que vivia em terra, não incluiu, muito embora estivesse no barco? E que olhos observadores e boa memória tinha Pedro para lembrar-se de que Jesus estava “dormindo sobre um travesseiro”. — Veja também Lucas 8,23.
É fácil entender por que alguns eruditos bíblicos descrevem Marcos como intérprete de Pedro. Mas, significa isso que o Evangelho de Marcos devia ser chamado realmente de o Evangelho segundo Pedro? De modo algum. A narração fornece em muitos assuntos evidência das faculdades de observação e de atenção a pormenores de Pedro. Mas, o estilo vernacular vívido e dinâmico  de transmitir a idéia de uma ação quase que de suspense é claramente de Marcos.
Outro fator vital a ser considerado é que “toda a Escritura é inspirada por Deus” e que “nenhuma profecia da Escritura procede de qualquer interpretação particular . . . mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo”. Assim, temos a feliz combinação da narração perceptiva de Pedro com o estilo de escrita dinâmico  e conciso de Marcos. Marcos foi deveras um dos orientados, ou “movidos”, pelo espírito santo de Deus, sua força ativa. — 2 Timóteo 3,16; 2 Pedro 1,20-21.

PARA QUEM ESCREVEU MARCOS?
É evidente que cada escritor evangélico tinha em mente um tipo diferente de leitor. Mateus escreveu primariamente aos judeus, conforme evidenciado pelas suas muitas referências ao Velho Testamento e pela sua preocupação com a genealogia de Jesus, provando sua descendência legítima de Abraão. Lucas escreveu em benefício do “excelentíssimo Teófilo” e dos povos de todas as nações, remontando sua genealogia até Adão. (Lucas 1,1-4; 2,14; 3,23-38) Assim, cada um usou um estilo diferente, e salientou e enfocou algo diferente. Para quem, em especial, escreveu Marcos?
É bem provável que tenha escrito em Roma, tendo em mente os crentes romanos. A forma simples e popular do idioma grego empregada está salpicada de transliterações latinas, o que seria uma tendência bem natural para uma pessoa de idioma grego que morasse em Roma. Utiliza pelo menos nove palavras latinas em 18 ocasiões, incluindo speculator (em grego, spekoulátora, “guarda pessoal”), praetorium (em grego, praitórion, “palácio do governador”) e centurio (em grego, kenturíon, “oficial do exército” ou centurião). — Marcos 6,27; 15,16.39.
Outra evidência de que Marcos escreveu principalmente para os gentios é que ele não menciona nada a respeito do nascimento ou da genealogia de Jesus. De fato, em suas palavras iniciais, já passa a relatar imediatamente o ministério de João Batista e seu anúncio do Messias. Toda a informação biográfica prévia a respeito de Jesus tornava-se de qualquer forma desnecessária, visto já ter sido apropriadamente abrangida nos precedentes Evangelhos de Mateus e Lucas. Por que repetir seu testemunho em benefício dos não-judeus? Isso, incidentemente, contradiz os muitos eruditos bíblicos modernos que sustentam que Marcos foi o primeiro escritor evangélico, muito embora as autoridades mais antigas concordem que Mateus foi o primeiro.

CRISTO COMO PESSOA
Como é que Marcos retrata a Cristo? Temos dificuldade em acompanhar o passo desse dinâmico  fazedor de milagres, que a cada poucos versículos parece já estar em outro lugar. Nós o acompanhamos na realização de cerca de 19 milagres em pelo menos 10 locais diferentes nas redondezas da Galiléia e da Judéia. E, contudo, ajuda-nos ao mesmo tempo a visualizar o compassivo Jesus. Traz à luz pormenores como em nenhum outro Evangelho, e salienta claramente as reações emocionais de Jesus. Por exemplo:
“As pessoas começaram então a trazer-lhe criancinhas, para que as tocasse; mas os discípulos as censuraram. Vendo isso, Jesus ficou indignado e disse-lhes: ‘Deixai vir a mim as criancinhas’ . . . E tomou as criancinhas nos seus braços e começou a abençoá-las.” — Marcos 10,13-16.
Consegue fazer um quadro mental da cena? Quantas vezes já dissemos ou ouvimos a expressão: “Crianças devem ser vistas, mas não ouvidas”! Os discípulos estavam manifestando na ocasião a mesma atitude. Como reagiu o Amo? Ficou “indignado”. Pedro, a testemunha ocular, recordava-se evidentemente da reação emocional justa de Jesus. Daí Jesus disse: “Deixai vir a mim as criancinhas; não tenteis impedi-las.” Neste ponto Marcos introduz um toque bem humano que os escritores Mateus e Lucas não mencionam. É como se ele usasse lentes zum para se aproximar mais e salientar um pormenor ao escrever: “E tomou as criancinhas nos seus braços.” Aqui estão presentes a ação e a compaixão ao mesmo tempo. Visualizamos realmente a Jesus através dos olhos bem humanos e humanitários de Pedro. Para nossa felicidade, o espírito santo induziu Marcos a incluir esse pequeno retoque que dá mais colorido e calor humano ao quadro.
Se estiver iniciando o seu contato com a Bíblia ou com o cristianismo, poderá muito bem começar por ler esta história concisa e vigorosa das “boas novas” do homem de ação, Jesus Cristo Desligue-se do mundo e de suas distrações por uma hora ou duas e envolva-se na emocionante história de Marcos: “O princípio das boas novas a respeito de Jesus Cristo.” (Marcos 1,1) E por que não faz isso “imediatamente”, “logo”!

Extraído de revistas cristãs

1 comentários:

Everton S. da Silva disse...

Olha parabéns, seu blog é muito bom, com vários assuntos e de peso. Vou continuar seguindo seu blog, vale muito a pena.
P.S - Se voce me permitir, muita coisa irei compartilhar no meu blog ok. Preciso de sua autorização.
Grande abraço.

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