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O modernismo não morreu

sábado, 21 de agosto de 2010

"Os piores inimigos da Igreja estão no seu interior. Essa afirmação expressa uma verdade que pode ser observada na prática em nossas comunidades. Há inclusive uma referência a essa realidade na doutrina de São Pio X: “Os fautores do erro já não devem ser procurados entre inimigos declarados; mas, o que é muito para sentir e recear, se ocultam no próprio seio da Igreja, tornando-se destarte tanto mais nocivos quanto menos percebidos” (Pascendi Dominici Gregis). O motivo pelo qual podemos afirmar convictamente que os piores inimigos são justamente os que estão na Igreja é que esses são “lobos em pele de cordeiro”, ou seja, estão disfarçados. Os inimigos declarados da obra de Cristo normalmente explicitam sua ação maligna, deixando aos cristãos a possibilidade de se prevenir. Os lobos disfarçados, com linguajar astuto e sedutor, arrastam para o Inferno as pessoas mais simples. Muitos deles receberam de Deus a missão de conduzir, de guiar a Cristo o Seu rebanho. Fazem, no entanto, exatamente o contrário: ensinam o erro, propagam a heresia, disseminam o modernismo.

O modernismo é uma heresia que surgiu no século XIX com o padre Alfred Loisy. De uma maneira bem resumida, foi um pensamento que surgiu como fruto ao ambiente cienficista e racionalista europeu. O resultado teológico foi um verdadeiro desastre: negação da transcendência, dos Santos Evangelhos, da autoridade da Igreja, da assistência do Espírito Santo aos bispos em comunhão com o Papa, da divindade de Nosso Senhor, da ressurreição de Jesus Cristo e da origem divina dos Sacramentos. O papa Pio X conduziu com coragem e obediência a Igreja frente ao terror da heresia modernista no século XX. Todos os padres deveriam professar o juramento antimodernista e se submeter aos ensinamentos infalíveis dos Concílios e dos Papas. A proposta de São Pio X – cuja memória a Liturgia celebra hoje – foi importante, mas o modernismo não morreu. Muito pelo contrário. Está forte e conquista um número grande de pessoas ao redor do mundo inteiro. E seria muitíssimo perigoso tentar ignorar esse mal que está visivelmente presente na Cristandade.

Talvez o exemplo mais óbvio do modernismo atualmente seja a heresia da Teologia da Libertação, que infectou de uma maneira especial o continente americano. Com efeito, a situação da pobreza na América Latina é triste, lamentável, e a ajuda do Cristianismo nesses países que apresentam necessidades é, sem dúvida, muito importante. O problema é se esquecer que o homem não vive só de pão. E a Teologia da Libertação, que é um modernismo disfarçado de mecanismo social de caridade, não quer simplesmente estender a mão aos mais necessitados e às pessoas carentes de recursos físicos. Ela adapta o Evangelho ao marxismo e ao socialismo. Valoriza de tal modo o materialismo, ponto essencial do pensamento comunista, que se esquece que o homem tem uma alma e que deve lutar para salvar-se, para conquistar a vida eterna (segundo eles, o Paraíso poderia ser construído aqui mesmo, nesse mundo). Destroem, com o materialismo, pontos essenciais da fé cristã. O Evangelho não faria referência mais ao Cristo-Deus, mas a um Jesus histórico (como se fosse possível separar essa duas dimensões de Nosso Senhor). A Ressurreição de Cristo não seria um fato, mas somente uma alegoria. A presença de Cristo na Eucaristia não seria real, mas apenas simbólica.

O Brasil está muito contaminado por essa mentalidade materialista e modernista! E como sofrem os fiéis com a falta de zelo de seus pastores! Quantas ovelhas se dispersam quando os pastores deixam de se preocupar com o imperecível! É preciso, hoje, mais do que nunca, combater, com todas as nossas forças, esse pensamento de cunho marxista que está se infiltrando em nossas comunidades.

Seja o zelo pastoral de São Pio X inspiração para todos os católicos. Que esses, reunidos sob a proteção da Santíssima Virgem Maria, sejam verdadeiramente obedientes ao Magistério da Igreja Católica. Estejam os nossos bispos preocupados com o necessário; e levem os fiéis a um encontro íntimo com Jesus na Eucaristia.

São Pio X,
rogai por nós!

Fonte: Ecclesia Una

PALAVRA DE DEUS = BÍBLIA + TRADIÇÃO + MAGISTÉRIO

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Desde o princípio, Deus fala com sua Igreja através da Bíblia e da Sagrada Tradição. Para garantir que sejam compreendidas por nós, Deus guia a autoridade de ensino da Igreja - o Magistério - para que esta possa interpretar perfeitamente a Bíblia e a Sagrada Tradição. Eis a dádivá da infalibilidade!

Esses três elementos - a Bíblia, a Sagrada Tradição e o Magistério - são todos necessários para que haja a estabilidade da Igreja e para garantir a segurança da doutrina.

A Sagrada Tradição (Catec.Igr.Cat. 75-83)

A Sagrada Tradição não deve ser confundida com a simples tradição humana, geralmente chamada de costume ou disciplina. Algumas vezes Jesus condenou os costumes ou disciplinas, mas somente quando estes contradiziam os Mandamentos de Deus (cf. Mc 7,8). Jesus nunca condenou a Sagrada Tradição e nem todas as tradições humanas.

A Sagrada Tradição e a Bíblia não são diferentes, nem são revelações concorrentes. Na verdade, são dois modos de como a Igreja segue o Evangelho. Os ensinamentos apostólicos como a Santíssima Trindade, o batismo das crianças, a infalibilidade da Bíblia, o purgatório e a virgindade perpétua de Maria têm sido, de forma muito clara, demonstrada pela Sagrada Tradição, ainda que estejam implicitamente presentes (e não em contradição) na Bíblia. A própria Bíblia nos remete à Tradição, tanto na forma oral quanto escrita (cf. 2Ts 2,15; 1Cor 11,2).

Como dissemos, a Sagrada Tradição não deve ser confundida com os costumes e as disciplinas, como o rosário, o celibato sacerdotal e a proibição de comer carne nas sextas-feiras da Quaresma; tais costumes são bons e úteis, mas não doutrinas. A Sagrada Tradição preserva as doutrinas pregadas por Jesus primeiro aos seus Apóstolos e, mais tarde, repassadas aos sucessores dos Apóstolos, isto é, aos bispos.

As Sagradas Escrituras (Catec.Igr.Cat. 101-141)

As Sagradas Escrituras, que englobam o Antigo e o Novo Testamento, foram inspiradas por Deus (2Tm 3,16). Foi o Espírito Santo que guiou os autores bíblicos a escreverem aquilo que Ele desejava revelar. Já que Deus é o principal autor da Bíblia e Deus é Verdade (cf. Jo 14,6), não pode Ele ensinar algo errado e, assim, a Bíblia está isenta de qualquer erro, em tudo que ela defende como Verdade.

Alguns cristão dizem: "A Bíblia é tudo do que preciso", contudo, tal afirmativa não se encontra na própria Bíblia. Na verdade, a Bíblia ensina justamente o contrário, como lemos em 2Pd 1,20-21 e 2Pd 3,15-16). Além disso, a teoria de que "somente a Bíblia basta" nunca foi professada pela Igreja primitiva.

Trata-se, assim, de um conceito novo, surgido durante a Reforma Protestante do séc. XVI. Tal teoria é "tradição dos homens" que anula a Palavra de Deus, distorcendo a verdadeira regra bíblica e excluindo a autoridade da Igreja estabelecida por Jesus (cf. Mc 7,1-8).

Ainda que seja popular em muitas igrejas cristãs, a teoria de que "somente a Bíblia basta" simplesmente não funciona na prática. A experiência histórica desaprova essa idéia pois a cada ano vemos surgir mais e mais religiões, cada qual com uma interpretação bíblica diferente.

Existem hoje dezenas de milhares de denominações, cada qual afirmando que sua interpretação particular da Bíblia é a correta. As divisões que geram causam confusões indescritíveis entre milhões de cristãos sinceros, mas desorientados.

[Para se ter uma idéia,] basta abrir as páginas amarelas da lista telefônica para verificarmos quantas denominações diferentes estão catalogadas, cada uma dizendo que "somente a Bíblia basta", mas nenhuma concordando exatamente com a interpretação bíblica de todas as demais.

Porém, podemos ter a certeza de uma coisa: o Espírito Santo não pode ser o autor de toda essa confusão (cf. 1Cor 14,33). Deus não pode conduzir as pessoas através de crenças contraditórias já que a Verdade é uma só. Que conclusão podemos então tirar? De que a teoria que diz que "somente a Bíblia basta" [para o cristão] é falsa.

O Magistério (Catec.Igr.Cat. 85-87; 888-892)

Juntos, o papa e os bispos compõem a autoridade de ensino da Igreja, que é chamada de "Magistério" (do latim Magisterium que significa Mestre). O Magistério, guiado e protegido contra o erro pelo Espírito Santo, nos dá a certeza da doutrina. A Igreja defenda e proclama a mensagem da Bíblia fiel e precisamente. Trata-se de uma tarefa da Igreja, autorizada por Deus.

Devemos ter em mente que a Igreja nasceu antes da redação do Novo Testamento; e não o inverso! Os membros da Igreja, inspirados por Deus, escreveram os livros que formam o Novo Testamento da mesma maneira como os escritores do Antigo Testamento também eram divinamente inspirados; e é a Igreja que é guiada pelo Espírito Santo para guardar e interpretar toda a Bíblia, tanto o Novo quanto o Antigo Testamento.

Assim, torna-se absolutamente necessário um intérprete oficial quando precisamos compreender a Bíblia apropriadamente (ora, todos nós sabemos o que diz a Constituição Federal, porém, cabe ao Supremo Tribunal Federal interpretá-la realmente).

O Magistério é infalível quando ensina oficialmente já que Jesus prometeu enviar o Espírito Santo para guiar os Apóstolos e seus sucessores no conhecimento de toda a Verdade (cf. Jo 16,12-13).

Autor: Catholic Answers
Fonte: Livro "Pillar of Fire, Pillar of Truth" (2ª ed.)
Tradução: Carlos Martins Nabeto