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Resposta a argumentos ateus: ateu tenta definir fé como "acreditar irracionalmente naquilo que não existe..."

terça-feira, 20 de dezembro de 2011



Um dos populares neoateístas no Youtube a quem já respondi alguns vídeos vem nesta pérola fazer mais uma de suas redefinições de palavras para se adequar à ideologia neoateísta. Neste vídeo ele alega que fé é "acreditar irracionalmente naquilo que não existe..." (sic) e ainda por cima faz uma dicotomia e uma redefinição entre "acreditar" e "ter fé". Vamos lá.

É claro, para começar, o ateu em questão é influenciado por nada mais, nada menos do que quem? Richard Dawkins, o homem-falácia-buraco-de-queijo-suíço, o homem que é um Dr. Jekyll no laboratório e um sr. Hyde fora dele. Dawkins definiu fé como "a crença na ausência de (ou em oposição a) evidência" ou, como Mark Twain o coloca "fé é acreditar no que você sabe que não é verdade."
O biólogo e neoateísta Richard Dawkins é brilhante quando se trata de deturpar a posição cristã. Dawkins apresenta muitas vezes a cosmovisão cristã em uma luz que muito provavelmente que ainda não é reconhecível para o cristão bem informado e seu seguidor Yuri demonstra um completo fracasso em entender o significado da fé cristã.

Neste vídeo, em http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=-HNGhbkqIPs#t=88s ele afirma "fé é você acreditar irracionalmente em alguma coisa" (!!!). Mas, em nome de Roger Bacon, de onde ele tirou essa definição estrambólica de fé? Com certeza, essa não é a fé do cristianismo, uma fé cega. Acho que essa definição realmente bastante curiosa, porque eu não consigo imaginar como essa crença poderia existir. Mesmo uma teoria da conspiração ou a superstição mais bizarra ainda é baseada em pelo menos uma pequena quantidade de provas e conexões lógicas. Certo, você ou eu poderíamos pensar que tais crenças são baseadas em evidências e lógicas ruins. No entanto, isto não significa que não há nenhuma evidência ou lógica (embora fraca). Muitas vezes, ao invés de usar a palavra "fé",  que realmente quer dizer alguma coisa útil, parece que muitos autores a usam para significar 'a crença com a qual eu não concordo'. Para mim tal uso pejorativo e retórico da palavra mostra um exemplo muito melhor das pessoas "temporariamente distorcem seus dicionários, enquanto simultaneamente se livram de seu sentido".

Eu também  não "tendo a acreditar em qualquer coisa que não é feita de matéria ou energia". No entanto, também estou confortável com a palavra "fé" mesmo em um contexto científico. Ao unir um argumento científico, é fundamental reunir o maior número de diferentes tipos de observações experimentais para formar a base do argumento. No entanto, é fascinante como muitos outros cientistas, tentando ser igualmente racionais, podem olhar para a mesma evidência experimental e tirar conclusões muito diferentes. Assim também a fé, neste contexto, é ter confiança suficiente para transformar seus resultados em uma conclusão publicada em que você esteja feliz que outros questionem e desafiem. É tomar o salto de acreditar provisoriamente em uma teoria, de usar a teoria como um princípio de funcionamento. Não é a crença na ausência de lógica ou evidência, é uma crença baseada em evidência "suficientemente boa". Tal definição parece muito mais útil do que a definição impossível de "crença sem evidência", ou o uso retórico como "uma crença com a qual eu não concordo".


http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=-HNGhbkqIPs#t=93s - Outra frase preferida do neoateísta: "suspender seu julgamento crítico". Isso virou um mantra. Mas quem é louco de fazer isso? O cristianismo ensina você a desalojar seu cérebro do crânio e guardar numa gaveta e ir "dar dízimo para o Waldemiro Santiago"? Onde ele presume isso?

Bom, então o ilustre neoateísta faz uma dicotomia entre o que acha ser "fé" e "acreditar". Interessante. Dá pra ver que o sujeito Yuri é um bom aluno escolado na turminha de Dawkins. Cada um dos novos ateus faz uma declaração similar. Dawkins afirma que a fé é uma ilusão, uma "falsa crença persistente realizada em face de fortes provas contraditórias."{4} Daniel Dennett afirma que os cristãos são viciados em fé cega{5} e Sam Harris argumenta que "a fé é geralmente nada mais do que a permissão que as pessoas religiosas dão mas às outros para acreditar em coisas sem provas."{6}

http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=-HNGhbkqIPs#t=109s - Interessante. Por que você não dá usa do mesmo escrutínio para a fé cristã. Será que o cristianismo nos pede para simplesmente "crer" em tudo deixando a razão e as evidências de lado?

Eu já dou uma boa resposta sobre o tema aqui http://youtu.be/_dzV3n8c41k.

Talvez se Dawkins e seu pupilo Yuri fossem realmente investigar o assunto, descobririam que a  palavra grega para fé é pistis, que significa "evidência" ou "convicção moral". Ela é derivada do verbo principal pietho, que significa "convencer pelo argumento" ou "concordar com as evidências."
O conceito bíblico de fé é razoável e racional. A fé bíblica é e deve ser fundamentada na realidade. É aberta à discussão, investigação objetiva e crítica.

Dawkins disse à sua filha:

A crença de que existe um deus ou deuses, crença no Céu, crença de que Maria nunca morreu, crença de que Jesus nunca teve um pai humano, a crença de que as orações são respondidas, a crença de que o vinho se transforma em sangue - nenhuma dessas crenças é apoiada por boas provas.

Agora, e se a filha de Dawkins respondesse:

Papai você diz que não há boas evidências para a existência de Deus. Mas qual é a boa evidência para essa afirmação? Eu não posso ouvir autoridades sobre estas questões. Eu preciso de evidências empíricas enraizadas em observação. E mesmo se eu pudesse ouvir as autoridades, por que eu iria ouvir você? Você não é autoridade na metafísica ou filosofia da religião.

Por fim, Dawkins escreve:

Da próxima vez que alguém lhe disser que algo é verdadeiro, porque não lhes diga: 'Que tipo de prova há para isso'? E se não pode lhe dar uma boa resposta, eu espero que você pense com muito cuidado antes de acreditar em uma palavra do que eles dizem.

Embora eu discorde com praticamente todas as afirmações que Dawkins disse à sua filha, eu achei esta última interessante. Na verdade, eu só posso esperar que a filha de Dawkins atenda este conselho pedindo alguma evidência para a ladainha auto-refutável que seu pai escreveu para ela.

Respostas a argumentos ateus: "Não era errado que Ló oferecesse suas filhas aos sodomitas? "

domingo, 11 de dezembro de 2011


Um certo indivíduo no Youtube, comentando no canal do Conde, disse o seguinte:
bem segundo, a historia de sodoma e gomorra, quando os sodomitas queriam estupar os anjos, ló ofereceu suas filhas virgens no lugar deles, vemos então ai, um exemplo da moral das pessoas tementes a deus. E ja que deus é tao poderoso, e pra ele não importa a logica humana, o senso critico, raciocinio me responda qual é o proposito da biblia ao fazer alusão a um deus tão misericordioso e amavel para com a humanidade. O deus da biblia é cruel, sanguinario.
Voces cristãos so veem o que querem...
pedromilgrau007 
Aí vai a minha resposta (e a quem interessar) já que o Youtube não permite comentários longos com mais de 256 caracteres (é por isso que tenho uma relação de amor-ódio com o sistema):

Embora alguns tenham acusado Ló de agir de maneira imprópria, realmente não estamos em condições de condená-lo. A Bíblia mostra que Deus, que vê o que está no coração, não julgou adversamente a Ló.
Quando Deus enviou dois anjos materializados a Sodoma e Gomorra, Ló insistiu de modo hospitaleiro em que ficassem na sua casa. Naquela noitinha, uma turba de sodomitas cercou a casa, gritando: “Onde estão os homens que foram ter contigo hoje à noite? Traze-os para fora a nós, para que tenhamos relações com eles.” — Gên. 18,20, 21; 19,1-5.
Indo para fora, Ló tentou dissuadir os homens. Depois rogou: “Por favor, eis que tenho duas filhas que nunca tiveram relações com um homem. Por favor, deixai-me trazê-las para fora a vós. Fazei então com elas o que parecer bem aos vossos olhos. Somente não façais nada a esses homens, porque foi por isso que vieram, sob a sombra do meu teto.” A turba irada avançou contra Ló quase derrubando a porta. Os anjos intervieram então e feriram a turba de cegueira. — Gên. 19,6-11.
Esta narrativa tem intrigado e perturbado a muitos, especialmente mulheres. Alguns até mesmo têm acusado Ló de agir de modo covarde, que ele não devia ter oferecido pagar pela segurança de seus hóspedes com a virtude de suas filhas, ou que ele mesmo se devia ter entregue à turba.
Mas, deve-se notar que, segundo a ética oriental, o hospedeiro tinha a responsabilidade de proteger os hóspedes na sua casa, defendendo-os até a morte, se necessário. As palavras de Ló (“porque foi por isso que [os dois homens] vieram sob a sombra do meu teto”) mostram que ele sentia a obrigação de proteger os hóspedes na sua casa. Também, como é que alguém poderia acusar Ló de covardia? Ele destemidamente foi lá fora à turba, fechando até mesmo a porta atrás de si e enfrentando-a sozinho.
Mas, que dizer da oferta de Ló à turba? Embora alguns tenham dito que Ló devia ter oferecido a si mesmo, é pouco provável que a turba de perversos se tivesse satisfeito com um homem velho e casado. Mas, a oferta de duas virgens talvez tivesse um pouco confundido a turba: Ali havia duas virgens jovens, e a oportunidade de aviltar a pureza delas talvez tivesse tido algum atrativo para a turba. Mas, por outro lado, elas eram moças, noivas de dois homens da cidade. De modo que a oferta pode ter tido o efeito de distrair ou de dividir a turba de pervertidos.
Além disso, embora Ló no começo, talvez tivesse acolhido anjos sem o saber, é bem possível que até então já se tivesse dado conta de que eram mensageiros de Deus. (Heb. 13,2) Portanto, Ló talvez achasse que, embora tivesse profunda afeição às suas filhas, estava disposto a sacrificá-las, se fosse necessário. (Veja Gênesis 22,1-14; 2 Samuel 12,3.) Oferecendo suas filhas à turba, Ló talvez confiasse em que, se fosse da vontade de Deus, este protegeria suas filhas, assim como Deus já protegera Sara, no Egito. (Gên. 12,17-19) E Deus deveras dirigiu o assunto de tal modo, que Ló e suas filhas ficaram a salvo, não só da turba homossexual, mas também da destruição ardente que sobreveio às cidades. — Gên. 19,15-29.
Os anjos não disseram que Ló, por fazer aquela oferta, maculou sua justiça. Antes, ajudaram Ló e sua família a escapar quando Deus causou a ruína daquelas cidades, que não continham nem 10 pessoas justas. (Gên. 18,2-32) O que é ainda mais significativo é que Deus não criticou Ló que se sentia atormentado já por meramente observar atos contrários à lei. Ao contrário, Deus, que pode ver o que há no coração, declarou que Ló era “justo”. — Pro. 15,11; 2 Ped. 2,8-9.
Esta narrativa é uma parte valiosa da Bíblia. Serve para acentuar a maldade de Sodoma e Gomorra, causa indignação aos justos que a lêem e mostra que Deus desaprova o homossexualismo. Também, esta narrativa nos ajuda a avaliar a garantia bíblica de que Deus é justo e reto — que ele não admite a iniqüidade. (Deu. 32,4) E podemos confiar em que Deus é igualmente perfeito e justo no seu julgamento de que Ló era “justo”.


Assim, o contexto deste versículo é que dois anjos visitaram Ló em Sodoma em um esforço para levá-lo a deixar a cidade, uma vez que estava prestes a ser destruída. Aparentemente, estes dois anjos apareceram na forma de homens. Enquanto isso, muitos dos homens da cidade, que eram homossexuais, queriam ter relações com os dois homens, não sabendo que eles eram realmente anjos. Mas, Lot ao invés ofereceu suas filhas para a multidão de pessoas. A multidão recusou as filhas e começou a entrar forçosamente casa de Ló, a fim de raptar os dois homens / anjos para que eles pudessem molestá-los sexualmente. Os anjos, então cegaram parte da multidão ela dispersou.
Por que Lot oferece suas filhas para a multidão de homens, uma vez que er a uma coisa muito ruim para fazer? Muito simplesmente, o que Ló fez foi errado. Ele foi hipócrita e ímpio em sua ação. Naquela cultura, era extremamente importante o tratamento de visitantes muito bem desde o anfitrião de uma casa em uma cidade automaticamente representada naquela cidade para os visitantes. Foi um grande negócio para se certificar de que os visitantes eram bem tratados. Isto pode ter desempenhado um papel na decisão de Ló para honrar seus convidados, mas não faz diferença. Lot foi muito errado para oferecer suas próprias filhas à turba.
Alguns podem pensar que Lot era um homem muito piedoso. Mas este não é o caso em apreço. Se ele fosse, por que ele estava vivendo em Sodoma? Por que ele escolheu ir para lá? É provavelmente verdade que Lot era um homem temente a Deus, até certo ponto, mas ele obviamente estava comprometendo seus valores e foi, provavelmente, sendo influenciado pela pecaminosidade da cidade. Em sua posição comprometida, ele pecou ao oferecer suas filhas.
Finalmente, temos de olhar para 2 Pet. 2:6-7 ,
"E se Ele [Deus] condenou as cidades de Sodoma e Gomorra à destruição, reduzindo-as a cinzas, havendo-as posto para exemplo aos que vivessem impiamente; e se livrou o justo Ló, oprimidos pela conduta de sensual sem princípios os homens ... "
Mesmo os justos diante de Deus pode fazer coisas que estão erradas. No geral, Lot temia a Deus e confiava nele - mesmo fazendo algo errado, oferecendo suas filhas. Deus não se lembra de nossos pecados ( Isaías 43,25 ). Portanto, os pecados de Ló não foram lembrados quando Ló foi descrito no relato de Pedro.

Respostas a argumentos ateus: Jesus foi imoral ao lançar os porcos ao mar?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Alguns ateus e outros alegam que Jesus foi "imoral" por ter permitido que demônios se apoderassem de porcos e se lançassem ao mar. Como responder a isso?

Não se pode atribuir a Jesus nenhuma falha por ter deixado que os demônios entrassem nos porcos, especialmente visto que certos fatores não declarados podiam muito bem estar envolvidos, tais como serem judeus os donos dos porcos, sendo assim culpados de desrespeito à Lei. Não se exigia, naturalmente, que Jesus exercesse presciência quanto ao que os demônios fariam, uma vez entrassem nos animais impuros. E os demônios talvez quisessem apossar-se dos porcos a fim de derivar disso algum prazer sadístico desnatural. Também, poder-se-ia razoavelmente argüir que um homem vale mais do que uma vara de porcos. (Mt 12,12) Ademais, todos os animais na realidade pertencem a Deus, em razão de sua qualidade de Criador, de modo que Jesus, como representante de Deus, tinha todo o direito de permitir que os demônios se apoderassem da vara de porcos. (Sal 50,10; Jo 7,29) Entrarem os demônios nos porcos demonstrava vigorosamente que tinham deveras sido expulsos dos homens, tornando além disso bem evidente aos observadores o dano que advinha às criaturas carnais que se tornavam possessas de demônios. Demonstrava para tais observadores humanos tanto o poder de Jesus sobre os demônios como o poder demoníaco sobre criaturas carnais. Tudo isto pode ter-se enquadrado no propósito de Jesus e talvez explique por que Jesus permitiu que os espíritos impuros entrassem nos porcos.

Muitos consideraram um tanto estranho e desumano que Jesus destruir assim uma piara de animais. Mas é caso seguro que Ele não destruiu deliberadamente os porcos. Devemos buscar visualizar o que aconteceu.
Os homens gritavam em alta voz (Mar. 5:7; Lucas 8:28). Devemos recordar que esses dois homens acreditavam firmemente que estavam possuídos por demônios. Uma das crenças ortodoxas do judaísmo era que com a vinda do Messias todos os demônios seriam aniquilados e destruídos. É por isso que os dois homens perguntam a Jesus por que tinha vindo a torturá-los antes de que fosse sua hora. Estes homens estavam tão convencidos de que os demônios habitavam em seus corpos, que nada teria podido "curá-los" a menos que vissem com seus próprios olhos como os demônios saíam deles e eram destruídos. Devia ocorrer algo que fosse para eles uma prova irrebatível de sua liberação. É
provável que seus gritos em alta voz tenham espantado os porcos, que se lançaram ao lago. A água era fatal para os demônios. Jesus aproveitou a oportunidade. "Olhem", disse-lhes, "seus demônios saíram de vocês e se colocaram nesses porcos, que agora se precipitam no lago, e ficam destruídos para sempre jamais."
Jesus sabia que não se poderia convencer a esses pobres miseráveis de que estavam curados sem que eles o vissem com seus próprios olhos. Se as coisas ocorreram deste modo, não se pode dizer que Jesus tenha destruído deliberadamente os porcos. Valeu-se dessa imagem como um recurso útil para convencer a esses dois pobres homens da realidade de sua cura.
Mas embora Jesus tivesse ocasionado deliberadamente a destruição dos porcos, não se pode culpá-lo de ter feito algo improcedente. É possível chegar a ser excessivamente melindroso.
T. R. Glover diz que muitas pessoas acreditam que são muito piedosas, quando em realidade o que fazem é ser melindrosas. Evidentemente não se pode comparar o valor de um montão de porcos com o de dois seres humanos, cujas almas são imortais. Bem poucos entre nós se negarão a comer presunto, ou costelas de porco. Nossa simpatia para com os porcos não nos impede de comer isso. Podemos então nos queixar de que Jesus tenha devolvido a saúde a dois seres humanos à custa de uma vara de porcos? Ninguém diria que esta ação significa estimular a crueldade para com os animais. Apenas significa que devemos manter certa proporção em nossa atitude diante da vida.
A suprema tragédia desta história está na forma como que termina. Os que cuidavam dos porcos correram à cidade e contaram o ocorrido aos habitantes desta. O resultado foi que os gadarenos acudiram a Jesus e lhe pediram que abandonasse essa região. Aqui vemos o egoísmo humano em sua expressão concreta. Não se importavam com o fato de que dois semelhantes tivessem recuperado a razão. Tudo o que lhes importava era que tinham perdido seus porcos.
Com muita freqüência encontramos quem opina: "Não me importa o resto do mundo enquanto conserve meus lucros e meus bens e minha comodidade." Possivelmente nos surpreenda a dureza do coração daqueles gadarenos, mas é necessário que mantenhamos uma atitude vigilante para não cairmos também na atitude dos muitos que se negam a ajudar a outros quando a ajuda implica renunciar a algum privilégio.

Resposta a argumentos ateus: Matt Dillahunty "destrói" o Sermão da Montanha - a péssima exegese de Matt Dillahunty (parte 1)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

 
Vendo por acaso a página do ateu Matt Dillahunty (ex-batista e apresentador do programa na Internet "Atheist Experience") onde, supostamente, ele tenta fazer uma "exegese" tentando "destruir" o Sermão da Montanha (http://wiki.ironchariots.org/index.php?title=Sermon_on_the_mount), não me admirou constatar coisas que já supunha em aventuras de ateus desse tipo e confirmou minha constatação de que, se REALMENTE quiser uma AUTÊNTICA explicação e comentários, não recorra a certos ateus, pois seria o mesmo que pedir para o Martin Bormann comentar a História dos Judeus, de Josefo.

Já vi inúmeros textos, vídeos e blogs de ateus tentando interpretar os textos bíblicos a seu modo. Para variar, como não é de surpreender, como o fazem? Sem profundidade, critério, conhecimento de linguística, história e arqueologia, etc. E depois reclamam quando exigimos que aprendam corretamente o que é exegese. Já vi muitos (como o tal do ateu Yuri) ficarem espavoridos e raivosos quando insistimos na metolodogia da Igreja de se entender um texto bíblico mas eles, como muitos fundamentalistas protestantes, querem tirar "suas próprias conclusões", sem se ater a qualquer regra de entendimento. Seria o mesmo que tentar explicar o Código de Trânsito usando regras de culinária.

Vamos lá para alguns comentários dos comentários dele e meus comentários (em azul).

Sobre Mt. 5,13-16:

O sal não pode perder o seu sabor. Esta declaração específica é uma metáfora, mas é horrível. Ele poderia muito bem ter dito "Vós sois o oceano da Terra. Mas se o oceano perder a sua umidade, como pode ficar molhado de novo?"Isso não representa a sabedoria além das limitações da época, é uma analogia pobre e não seria razoável assumir que qualquer ser divinamente sábio teria feito uma analogia pobre. Este erro é semelhante ao feito por Jesus ao se referir a semente de mostarda sendo a menor de todas as sementes (Mc 4,31 Image:Bible-icon.png) - Não é. Estes são erros de fato que só são possíveis se o orador não tem conhecimento ou é intencionalmente enganoso, nenhuma das quais é consistente com as alegações da divindade de Jesus.
Mas o mais importante, qual é a significado da metáfora? Jesus está dizendo que as pessoas que não têm Deus em suas vidas não valem nada?
Por aí é possível ver a profundidade da análise de Matt, tão profunda e vasta quanto uma moeda de 10 centavos. Esta é uma crítica absolutamente patética, uma das piores que eu já li. Levaria muito tempo para responder a cada ponto, mas vou tentar responder a alguns. O erro mais comum cometido é que ele mostra uma completa falta de compreensão do que Jesus estava realmente respondendo.

Sobre o sal perder o sabor, Matt (em parte se descuidando por usar somente a KJV e não analisar outras vertentes) está desinformado. Um comentador bíblico observa sobre Mateus 5,13:
“O sal empregado neste país [Estados Unidos] é um composto químico — muriato de sódio — e se a sua salinidade fosse perdida, ou se ele perdesse seu sabor, nada restaria dele. Penetra na própria natureza da substância. Nos países orientais, porém, o sal usado era impuro, misturado com substâncias vegetais e outras do solo; de modo que poderia perder toda a sua salinidade, e ainda restaria considerável quantidade de matéria do solo. Isto não prestava para nada, exceto que era usado, como se diz, para ser colocado em trilhas, ou caminhos, como nós usamos cascalho. Esta espécie de sal ainda é comum naquele país. É encontrado na terra em veios ou camadas, e, quando exposto ao sol e à chuva, perde inteiramente sua salinidade.” — Barnes’ Notes on the New Testament (Notas Sobre o Novo Testamento, de Barnes), 1974.
Pois é. O "incrível" Matt não sabe que o sal a que Jesus se referia era o sal da época, impuro e misturado, e não o sal americano atual. O comentarista bíblico Albert Barnes observou que, diferente do sal de mesa comum (cloreto de sódio), o sal que Jesus e seus contemporâneos conheciam era “impuro, misturado com substâncias vegetais e terrosas; de modo que podia perder toda a sua salinidade, sobrando uma grande quantidade de matéria terrosa. Não servia para nada, exceto para ser usado, como se informa, para ser lançado em veredas ou caminhos, assim como nós usamos o cascalho”. A ilustração de o sal perder a sua força e ser lançado fora para ser pisado pelos homens pode ser explicada pelo modo em que os beduínos ainda usam placas de sal em seus fogões primitivos, em que o sal de início estimula a combustão do esterco de camelo, mas depois, mediante uma mudança química, tem o efeito oposto. As placas de sal então inúteis seriam usadas como aterro de estrada.” Mas disto, o ateu não fala nada.

As metáforas não são muito diferentes dos símiles. Também destacam uma similaridade entre duas coisas bem diferentes. O símile emprega palavras tais como “como” ou “igual”, ao passo que a metáfora fala como se uma coisa fosse a outra.
Jesus usou uma metáfora quando disse aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra.” (Mateus 5,13) Não, os discípulos não eram literalmente sal. Mas o sal é um preservativo, e os discípulos possuíam uma mensagem que preservaria a vida de muitas pessoas. Por dizer: “Vós sois o sal” (uma metáfora), Jesus estava falando bem mais vigorosamente do que se dissesse: “Vós sois como o sal” (um símile). As metáforas são muitíssimo comuns na Bíblia. Observamos alguns outros exemplos nas seguintes declarações de Jesus: “Eu sou a porta”; “vós sois a luz do mundo. . . .Deixai brilhar a vossa luz”. — João 10,7-9, 11; Mateus 5,14-16.

É. Matt perdeu o seu "sal". E sobre Mc.4,31? Ora, Matt. Jesus não estava falando do mundo. A terra referida aqui é Israel, a terra onde ele estava e qualquer criança de escola de neocatecumenato pode entender isso, provavelmente. Nos dias de Jesus, era a menor das sementes costumeiramente semeadas em Israel. Seu diâmetro é de cerca de um milímetro, o que justifica seu uso como a menor unidade de medida do Talmude. — Berakhot 31a.

Jesus não estava dando uma aula de botânica. Dentre as sementes conhecidas aos galileus dos seus dias, a de mostarda realmente era a menor. Podiam assim avaliar a questão dum desenvolvimento fenomenal, ilustrado por Jesus.

Ora, Dillahunty, Jesus era humano e divino. Nesta condição humana, Jesus tinha a mesma limitação que muitos homens da época. Nestes termos, muitas de suas falas e declarações ecoavam o conhecimento da época. Jesus não é um "Zaratustra" ou um robô extraterrestre com mensagens paranormais ou além do natural. Sua divindade repousa em outros termos: em sua obra salvífica. Vocês, ateus, podem não concordam com isso mas não têm o direito de fazer o texto (ou Jesus) dizer aquilo que não está dizendo, sem uma correta confrontação com as regras e contextualização.

O significado da metáfora era para aqueles aos quais Jesus estava se dirigindo: seus discípulos. Ao acatarem esse aviso, os cristãos devem ter cuidado em não parar de dar testemunho público, nem se envolver numa conduta que Deus desaprova. Caso contrário, deteriorariam em sentido espiritual e poderiam tornar-se inúteis, como o ‘sal que perdeu a força’.

Entendeu, "Matt"?





Resposta aos argumentos ateus: a Onisciência de Deus versus livre-arbítrio. Há algum problema?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011


A legenda na imagem diz "DETERMINISMO: a razão pela qual você 'escolhe' acreditar ter livre-arbítrio"

"Mas para Deus, não temos livre-arbítrio. Ele já sabe todas as influências, passado, presente e futuro em nossas vidas. Ele sabe como nos comportamos - e iremos nos comportar - em cada situação. Ele sabe se vamos adorá-Lo ou abandoná-Lo. Não faz diferença o que fazemos, se orarmos ou adorarmos e pecarmos e blasfemarmos, Deus sabe, antes mesmo de nascemos se vamos entrar no Céu ou no Inferno depois que morrermos. Nosso livre-arbítrio é uma ilusão; nossas vidas estão sempre fixas no âmbar da mente de Deus" (de um post de um site ateu )

O argumento acima é mantido por muitos descrentes que geralmente afirmam que a onisciência de Deus é uma contradição. Como Deus pode saber de tudo e ainda permitir o livre-arbítrio? O argumento geralmente é este:

1. Deus sabe todas as escolhas que você e eu faremos.
2. Uma vez que o conhecimento de Deus é infalível, tudo o que Deus sabe que irá necessariamente acontecer .
3. Portanto, o livre arbítrio é uma ilusão.

Como outro site ateu declarou: "Se um Deus sabe quem vai ganhar a próxima eleição presidencial, então não é possível para qualquer outra pessoa ganhar." Isso é verdade? Será que a Onisciência de Deus (vou usar este termo como sinônimo de conhecimento prévio, ainda que sejam tecnicamente diferentes) nega a nossa escolha? Como você vai aprender na refutação, a premissa (2) não leva à conclusão.

A refutação:
Em poucas palavras: a onisciência de Deus não obriga a ocorrer eventos futuros, ou seja, a onisciência não é necessita que você escolhe A sobre B.

Há duas necessidades no mundo - uma básica, por exemplo, os chimpanzés são mamíferos, o outra condicional, por exemplo, se você conhece alguém que está respirando, esta pessoa deve estar necessariamente tomando ar. Portanto, se Deus prevê que Emerson (eu) vai fazer uma caminhada às 18h30, ele vai caminhar às 18h30, porque esse é o ponto inteiro do pré-conhecimento e não pode ser qualquer coisa senão aquilo que se poderia prever. Isso, porém, não levanta um problema, a saber: Emerson caminhará às 18h30 porque Deus previu ou Emerson vai caminhar às 18h30 porque quis?

A escolha de caminhar livremente é desejado por Emerson por causa deste fato: não há necessidade que obriga o Emerson, que está caminhando voluntariamente, decidir ir adiante, embora seja necessário para ele ir adiante no momento de caminhar (como é necessário tomar ar quando respira). Da mesma forma, se Deus vê qualquer coisa no futuro, esse algo deve ser necessariamente, ainda que não esteja ligado por nenhuma necessidade da natureza (ao contrário do Sol se pôr).

Digamos que o Sol estava se pondo quando Emerson começou a andar às 18h30. O pôr do Sol e a caminhada de Emerson, que no momento da ocorrência não podia deixar de ter lugar (necessidade condicional), um deles antes disso acontecer estava necessariamente obrigado a ocorrer, enquanto o outro escolheu livremente. Da mesma forma, as coisas que a Deus são conhecidas de antemão, certamente existem, mas algumas delas vêm da necessidade natural, enquanto os outras a partir do poder do agente.




Conclusão:
Só porque Deus conhece de antemão o que vamos escolher A ou B, não necessita que escolhamos isto mas que ainda nos cabe decidir. E honestamente, acho que todos nós sabemos disso muito bem: a liberdade da vontade parece ser um conceito muito básico e intuitivo para a humanidade.

Traduzido e adaptado de http://studentsforchristianity.wordpress.com/

Respostas a argumentos ateus: "se Deus é onisciente, como fica o livre-arbítrio?"

quinta-feira, 3 de novembro de 2011



Olá, a doutrina cristã afirma que Deus é onisciente (1 João 3,20), e os seres humanos têm livre-arbítrio (Deuteronômio 30,19 é o meu exemplo favorito). No entanto, em meus debates apologéticos, tenho visto os céticos levantarem uma objeção a esses pontos várias vezes. A lógica básica por trás de seus argumentos é o seguinte:
  1. Um ser com livre-arbítrio, dado duas opções A e B, pode escolher livremente entre A e B.
  2. Deus é onisciente (tudo sabe).
  3. Deus sabe que eu escolherei A.
  4. Deus não pode estar errado, já que um ser onisciente não pode ter conhecimento falso.
  5. A partir de 3 e 4, eu vou escolher A e não posso escolher B.
  6. A partir de 1 e 5, a onisciência e livre-arbítrio não podem coexistir.
Tenho lido muitos contra-argumentos a partir de sites apologéticos, mas eram demasiado técnicos (eu não conseguia entendê-los), ou não satisfatório. Assim, eu queria saber qual seria a sua resposta a esta questão?
Obrigado,
Justin

Oi Justin,
Obrigado por escrever. Esta é uma ótima pergunta, pois mostra como até mesmo aqueles que apelam para a lógica podem ter preconceitos que os cegam. Vamos examinar esse argumento e ver se ele segue logicamente.
As premissas 1 e 2 em seu esboço acima são as principais premissas do argumento e estão corretas. A cosmovisão cristã afirma que todo ser humano é um agente moral livre e é capaz de fazer escolhas simplesmente por exercer sua vontade, não sob compulsão ou por causa do instinto. Além disso, é uma doutrina do cristianismo que Deus é onisciente. A Bíblia diz que Deus sabe "o fim desde o começo" (Isaías 46,10). Para a onisciência para ser verdadeiramente entendida deve ser o  conhecimento correto, então a premissa de número 4 também está correta.
No entanto, o número 5 é onde a lógica vacila. Aqueles que argumentam dessa forma cometem o erro de pensar que, como Deus possui conhecimento sobre determinado assunto, então ele o influenciou. Isto não é correto. Só porque Deus pode prever qual a escolha que você vai fazer, isso não significa que você não pode ainda escolher livremente a outra opção.
Deixe-me dar um exemplo. Eu tenho um filho de cinco anos de idade. Se eu fosse deixar um biscoito de chocolate na mesa cerca de uma hora antes da hora do jantar e meu filho estava a andar pela sala e o visse, eu sei que ele iria pegar o bolinho e comê-lo. Eu não o forço a tomar essa decisão. Na verdade, eu nem sequer tenho que estar na sala. Eu acho que conheço o meu filho bem o suficiente para lhe dizer que se eu voltar para a cozinha o biscoito vai ser comido. Seu ato foi feito completamente livre de minha influência, mas eu sabia quais seriam suas ações.
Ao examinar o argumento, a suposição é feita na premissa 3 que como Deus sabe que eu vou escolher A de alguma forma me nega a escolha de B. Essa é a premissa de que o cristianismo rejeita. A Onisciência e o livre-arbítrio não são incompatíveis e é um non sequitur afirmar o contrário.
Obrigado, Justin por esta pergunta interessante. Rezo para que você continue a defender o Evangelho de nosso Senhor e que Ele continue a abençoá-lo enquanto procurar crescer nEle.

Fonte: http://www.comereason.org/phil_qstn/phi038.asp#ixzz1ce38T5hO
Tradução: Emerson de Oliveira