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Dica do Sentir com a Igreja: filme "A Canção de Bernadette"

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


Há 153 anos em Lourdes, no sul da França, uma menina de 14 chamada Bernadette Soubirous teve o privilégio e a graça de ter visões da Virgem Maria em uma gruta chamada Massabiele ("velha massa") nos arredores da cidade. No começo, poucos deram crédito às palavras da jovem mas aos poucos os fatos foram falando por si mesmos. Neste dia em que se comemora Nossa Senhora de Lourdes gostaria de indicar a vocês um de meus filmes hagiográficos preferidos: "A Canção de Bernadette" (1943).

Filmado com categoria e respeito por Henry King, baseado em livro homônimo de Franz Werfel (que, por si só, já foi feito por causa de uma promessa) o filme retrata de maneira reverente e fidedigna os eventos sucedidos desde 11 de fevereiro de 1858 até 16 de julho (18 visões). A atriz Jennifer Jones encarna com perfeição a santa Bernadette, num desempenho que lhe valeu o Oscar de Melhor Atriz.

O filme foi um sucesso artística e comercialmente. Foi um sucesso de público e crítica, o que por si só já é um milagre, vistonão ser um filme feito por católicos mas sendo que o autor é judeu (Werfel) e foi exibido primeiramente em um país primordialmente protestante (EUA).

Dica de filme: "Moscati - O doutor que virou santo"

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

No post anterior (Son of Rambow) falei que, na grande maioria das vezes, assisto a filmes por diversão. Moscati não é um desses casos. Trata-se de um filme italiano católico, feito para a TV, sobre a vida do Dr. Giuseppe Moscati (1880-1927), médico de Nápoles, canonizado em 1987 pelo Papa João Paulo II.
Assisti como um programa de formação religiosa, e assim é necessário encarar a obra para poder dela usufruir. Isso porque esses filmes religiosos normalmente são bastante deficientes no aspecto técnico, e a história é tão tradicional quanto possível. Deixando de lado este aspecto, concentro-me no Dr. Morati e nas razões que o levaram à santidade. Tratava-se, segundo conta a película, de um médico bastante inteligente, competente e, em especial, obstinado. Tinha, ademais, um diferencial: o amor.
Uma escolha interessante do roteiro é o fato de que o longo filme – cerca de 200 minutos – passa todo o tempo mostrando o médico imerso no seu trabalho. Ele é santo, mas um santo no seu trabalho, um santo que fez as escolhas durante toda a sua vida, que empregou os talentos que Deus lhe deu. Há apenas uma cena que mostra o médico rezando: ele está diante de uma imagem de Jesus morto, coberto com o sudário, pedindo que o Senhor se mostrasse para ele. E Jesus se revela nos doentes.
Causou uma revolução no hospital em que foi trabalhar no início da sua carreira ao tratar os pacientes com carinho, ao ir ao encontro das pessoas mais miseráveis, chegando a acolher doentes em sua própria casa. Com o passar do tempo, vai abrindo mão de sua própria vida – perde a noiva linda e rica, deixa passar a oportunidade de se tornar professor universitário, um dos seus sonhos, se desfaz dos bens que herdou dos pais, perde a própria saúde. Tudo em prol da sua fé e da certeza de que Jesus, como ele suplicara, se revelava nos doentes e necessitados.
Compartilho a crença do médico: o amor é maior que tudo, porque o amor é Deus. Se eu acreditar nisso, só posso fazer o bem, porque nenhum bem nasce fora do amor.
Ser santo não é algo inalcançável ou reservado a freiras, padres e eremitas de séculos atrás. Nos tempos atuais, vivendo neste mundo – mas não sendo seduzido por ele – é possível ser santo. E isso significa buscar incessantemente fazer a vontade de Deus. Não é ser perfeito, mas buscar a perfeição. Não é não pecar, mas lutar incansavelmente contra o pecado. E, acima de tudo, amar. O verdadeiro – e único – amor.

Fonte: http://catalisecritica.wordpress.com

Recortes: A origem

segunda-feira, 20 de setembro de 2010


Não sei se é tarde pra falar, mas A origem (Inception), do visionário Christopher Nolan, é digno de aplausos. Realmente um dos filmes mais originais e inovadores da atualidade, não por acaso, um dos mais comentados. O roteiro é de uma engenhosidade instigante, o elenco de primeira, trilha sonora envolvente, fotografia impecável enfim, possivelmente, o filme do ano.

O projeto é ousado, a trama é complexa, ainda assim inteligível. Leonardo DiCaprio é Dom Cobb e lidera um grupo responsável por uma façanha no mínimo curiosa, entrar no subconsciente das pessoas para roubar informações secretas, através dos sonhos. Os desafios aumentam quando o grupo é contratado para uma missão inusitada: inserir uma idéia na mente de um jovem herdeiro.

O primeiro ato é praticamente todo didático. Ensaios, testes e o recrutamento da jovem Ariadne, de Ellen Page (Juno). E é nesse momento que os mais desatentos podem se perder e literalmente viajar nas cenas posteriores, as mais interessantes do longa. Se na teoria, tudo parece sob controle, na prática, acontecem muitos imprevistos, mas o grupo demonstra competência e grande capacidade para o improviso. Sem contar que, existem segredos do passado de Cobb que podem comprometer a missão.

Os sonhos são um grande mistério da mente humana. Antes de ver o filme, já refletia sobre o fato de sonharmos com alguém e sentirmos sensações reais como o beijo (quem já teve sonho erótico então...). Tenho um primo que me contava que sempre que se dava conta que estava num sonho, ele começava a voar – eu nunca percebia, só quando acordo. Quando os sonhos são muito bizarros e esquecidos facilmente, tenho a sensação de que a mente os produziu simplesmente para nos manter dormindo.

Mas nunca havia imaginado um sonho dentro de um sonho!


No filme, esses sonhos dentro de outros sonhos são possíveis e podem se tornar um baita quebra-cabeças, a ponto de surgir a indagação: “no subconsciente de quem estamos entrando agora?”. Esse mix de suspense e ação numa velocidade radical, a perspicácia em surpreender o público, as sequencias de ação e os efeitos especiais são de babar! As cenas protagonizadas pelo Joseph Gordon-Levitt (500 dias com ela) são um espetáculo visual sem precedentes, surreais (Matrix perde!). E o desfecho dessa história é simplesmente fascinante. O que é sonho e o que é a realidade? Você escolhe.

Os temas tratados por Nolan na película são tão pertinentes quando desafiadores. E se o mundo que criamos for uma mera projeção da nossa mente? Vivemos mesmo a realidade, ou criamos um mundo onde os nossos espectros nos dominam? O fato é que a idéia de inserir uma idéia na mente de alguém não é totalmente nova, muitos líderes religiosos nem precisam saber adentrar no sonho, nem de um orçamento hollywoodiano.

Então, se você ainda não viu e procura um programa divertido e inteligente, assista A origem. Se o roteiro apresenta falhas? Com certeza! Mas, vou ter que assistir de novo para identificá-las com clareza. Eu e o povo todo da sessão que aplaudiu de pé! Mesmo. Infelizmente filmes assim estão se tornando cada vez mais raros, a indústria cinematográfica parece sofrer de uma crise de criatividade, o capitalismo os condena a produzir mais do mesmo, por mera ganância e pouca arte.

Cá pra nós. Qual foi o sonho mais estranho que você já teve?



Fonte: Recorte Cotidiano