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S. Ana, a mãe da Virgem Maria

terça-feira, 26 de julho de 2011



Um curta sobre Santa Ana e São Joaquim, os pais da Virgem Maria e avós de Jesus.

Dica do Sentir com a Igreja: filme "A Canção de Bernadette"

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


Há 153 anos em Lourdes, no sul da França, uma menina de 14 chamada Bernadette Soubirous teve o privilégio e a graça de ter visões da Virgem Maria em uma gruta chamada Massabiele ("velha massa") nos arredores da cidade. No começo, poucos deram crédito às palavras da jovem mas aos poucos os fatos foram falando por si mesmos. Neste dia em que se comemora Nossa Senhora de Lourdes gostaria de indicar a vocês um de meus filmes hagiográficos preferidos: "A Canção de Bernadette" (1943).

Filmado com categoria e respeito por Henry King, baseado em livro homônimo de Franz Werfel (que, por si só, já foi feito por causa de uma promessa) o filme retrata de maneira reverente e fidedigna os eventos sucedidos desde 11 de fevereiro de 1858 até 16 de julho (18 visões). A atriz Jennifer Jones encarna com perfeição a santa Bernadette, num desempenho que lhe valeu o Oscar de Melhor Atriz.

O filme foi um sucesso artística e comercialmente. Foi um sucesso de público e crítica, o que por si só já é um milagre, vistonão ser um filme feito por católicos mas sendo que o autor é judeu (Werfel) e foi exibido primeiramente em um país primordialmente protestante (EUA).

Ex-sacerdote satanista e médium se converte à fé católica

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011


O Bem-aventurado Bartolo Longo - de satanista a santo

Mas primeiro, vamos falar do homem no qual tudo isso aconteceu.

Bartolo Longo nasceu em Latiano (Brindisi) no dia 10 de fevereiro de 1841, filho do dr. Bartolomeu Longo e Antonina Luparelli.

Seus pais eram ricos, o que lhe permitiu receber uma boa educação. Como eram católicos devotos, sobretudo sua mãe, ele e seus irmãos cresceram com um profundo amor por Maria.

O Rosário foi implantado no coração de Bartolo desde jovem e com sua família rezava o Rosário em conjunto, todas as noites, meditando sobre a vida de Jesus e Maria. Desde os seus primeiros anos, podiam-se ver as características que iriam catapultá-lo em sua grandeza.

Ele era carismático. Destacou-se em cada coisa que se dedicou. Ele se saiu bem nos seus estudos. Exposto à música desde cedo, gostava de tocar piano e flauta, até mesmo se tornou o maestro da banda da escola.

Mas a influência de seus pais não estariam sempre com ele.

Veio o tempo em que ele iria entrar na universidade! Como acontece em muitas universidades através dos séculos, Bartolo Longo foi bombardeado com ideias ateístas, anticristãs e heréticas, especialmente em uma aula de filosofia dada por um padre decaído.

Posteriormente, Bartolo caiu na armadilha e começou a sua triste caminhada de distância da Igreja Católica. Ele estava tão completamente tomado pelo ódio que seu professor nutria contra a Fé, que também começou a bradar e bufar contra a Igreja.

Mas seu coração estava sempre em busca do Divino.

O ex-padre lançou a sua âncora na tempestade da necessidade e ele afundou-se cada vez mais. Isto o ajudou a se afundar na lama da decadência. Encontrando-se com alunos que estavam profundamente envolvidos com o ocultismo, ele também começou a se aprofundar no misticismo com o seus companheiros cultistas, frequentando sessões espíritas.

Bartolo Longo ficou tão envolvido (não sendo uma espécie de pessoa com meios-termos) que foi ordenado sacerdote de um culto satânico.

Como seu culto atacava a Igreja, seus sacerdotes, bispos e religiosos, bem como os ritos sagrados da Igreja, ele também ficou absorvido com isso e, com todo o carisma e esforço que teve para se formar em Direito, ele também foi capaz de convencer os outros a desviar-se de Jesus e Sua Igreja.

Deus esperou pacientemente mas, não permitindo que ele continuasse prejudicando a sua alma e a dos outros, por meio das orações incessantes que sua mãe fazia por sua alma, permitiu que Bartolo Longo jejuasse tão severamente que ele quase perdeu sua saúde. Não apenas a sua saúde física mas a mental.
Ele logo encontrou-se afundando mais e mais em uma profunda depressão.

Sua exposição para os rituais e práticas horríveis que ele testemunhou no culto devastaram-lhe tanto que sofreu um colapso mental.

Mas só por um curto período pois Jesus não pôde resistir aos apelos da mãe de Bartolo.

Ainda longe da Igreja Mãe, estava tão à beira do desespero, quando ouviu uma voz semelhante a voz de seu falecido pai chamando-lhe: "Volte para Deus! Volte para Deus!"

O dia finalmente chegou em Nápoles quando, em 1864, Bartolo finalmente concluiu os seus estudos, recebendo um diploma para exercer a advocacia, na que atuou em Nápoles até 1871.

Por causa de todas as orações do Rosário e súplicas de sua mãe, Nossa Senhora interveio e o enviou para Professor Vicente Pepe, um bom amigo que ensinava perto de Nápoles.
Quando Bartolo compartilhou suas experiências e os rituais do culto, o professor ficou tão enojado e enfurecido que sua explosão surpreendeu Bartolo. Desesperadamente gritando por ajuda, Bartolo admitiu que estava profundamente perturbado.

Vicente apresentou Bartolo a um padre dominicano, bem versado na teologia e filosofia de São Tomás de Aquino - o padre Alberto Radente.

Pela graça de Deus e a intercessão de Sua Mãe Maria Santíssima, este querido Padre serviria como confessor e diretor espiritual, bem como amigo de Bartolo. O padre ajudou-lhe a abandonar todos os laços com o culto satânico, de uma vez por todas.
Ele o preparou para receber os sacramentos, dando a Bartolo um curso extensivo na Fé. Jesus disse: "Esses demônios não podem ser expulso de forma alguma, exceto por oração e jejum."
Deus enviou Bartolo um guerreiro de oração em Padre Radente. Orou e jejuou por seu jovem. Eu me pergunto se ele sabia o quão grande seria a tarefa que este jovem iria realizar para a glória e honra de Jesus e Maria.

O padre Radente ensinou-lhe a história da Ordem, fundada por São Domingos e confirmada pelo Papa Honório III em 1216.

Ele compartilhou o que significava ser um membro da Ordem Dominicana.

Ele citou o Papa Honório, que declarou que os dominicanos seriam "Campeões da Fé e da verdadeira luz do mundo".

Em 25 março de 1871, Bartolo Longoentrou para a Terceira Ordem Dominicana, pelo Padre Radente, ocasião em que foi dado o nome de "irmão Rosário", por causa de seu grande amor pelo Rosário e à Virgem Maria.

Sofrendo com o mal que tinha feito quando fazia parte do culto, Bartolo tentou reparar o terrível dano que fez às almas daqueles que ele tinha encontrado e convencido a levar uma vida diabólica.

Bartolo Longo ainda visitou uma sessão espírita e, erguendo a medalha da Virgem Maria, gritou: "eu renuncio o espiritismo porque não é nada senão um labirinto de erro e falsidade".

Lembrando aonde ele foi exposto pela primeira vez a esses pensamentos perigosos e mortais, ele foi para as universidades!

Juntou-se aos jovens em festas e se misturou-se com eles nos cafés, partilhando como ele tinha sido levado a deixar tudo o que lhe era querido - Jesus Cristo e a Igreja Católica.

Da mesma forma brilhante que ele arrastou muitos estudantes inocentes para longe da Verdade, ele levou muitos de volta ao Lar de Jesus e da Igreja.


... Eles eram fascinados por suas palavras e testemunho, e muitas conversões surgiram. Mas ele não estava satisfeito, ele queria fazer mais, tocar muitos - por Jesus e por Maria. O padre Radente aconselhou: "Se você está procurando por salvação, propague o Rosário. É a promessa de Maria. Aquele que propaga o Rosário será salvo."

Bartolo Longo passou a construir um grande Santuário de Nossa Senhora do Rosário em Pompéia, na Itália.

Dica do Sentir com a Igreja: filme "São Vicente de Paulo - O Capelão das Galeras"

A nossa dica de hoje vai para o excelente filme da vida de S. Vicente de Paulo "São Vicente de Paulo - O Capelão das Galeras" ("Mounsieur Vincent" - 1947), de Maurice Cloche. Um filme reverente mas realista, conta a história de S. Vicente de Paulo (Pierre Fresnay, numa interpretação soberba) desde seus dias de servidão forçada em Argel até sua entrada no sacerdócio, culminando com seu esforço hercúleo de ajudar os doentes e indigentes da França do séc. XVII. Destaques no grande elenco estão Aime Clairimond como o cardeal de Richelieu e Germaine Dermoz como a rainha Ana da Áustria.  Feito sob as mais difíceis condições ao longo de um período de dois anos, Monsieur Vincent continua a ser a obra-prima do diretor Maurice Cloche. O filme ganhou o Grande Prêmio de França em 1947, e no ano seguinte foi agraciado com o Oscar de "Melhor Filme Estrangeiro", um Globo de Ouro e um prêmio de melhor ator no Festival de Veneza para Pierre Fresnay.

Realmente imperdível, você pode comprá-lo aqui.

Grandes heróis para todos os tempos: Vilmos Apor (1892-1945)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

 
 Um mártir pela segurança do rebanho

Em 28 de março de 1945, soldados russos chegaram em Gyor, Hungria. A Sexta-feira Santa estava próxima e o Bispo Vilmos Apor escreveu em seu diário:
"A Sexta-feira Santa foi o dia em que o Redentor do Mundo sacrificou sua vida para aqueles que tinha se lembrado no dia anterior em sua oração, como Sumo Sacerdote: 'Pai, eles foram seus e Tu me destes. Tomei-os sob meus cuidados aqueles que me destes"
O bispo visitou os seus sacerdotes, foi ver monjas em seus conventos, e tentou preparar todos para o que estava por vir. Muitas pessoas assustadas procuraram refúgio na residência do Bispo Apor. Sua porta estava aberta para todos em perigo, e ele estava disposto a entregar a sua vida por eles. Ele enviou os refugiados do sexo masculino para sua mansão em Szany e manteve a mulheres, crianças e idosos na sua residência em Gyor. Desde o cerco de Gyor, as visitas dos russos à residência do Bispo Apor tornaram-se mais e mais frequentes. Ele quase não dormia e dizia: "Eu tenho que estar acordado no caso de algo acontecer." Ele celebrou sua última missa na Quinta-Feira Santa. Sua sobrinha, que estava com o bispo, descreveu a missa como sendo igual a dos primeiros cristãos nas catacumbas. Na Sexta Feira Santa, ele só leu a história da paixão de Cristo. No mesmo dia, ele disse: "Todos nós devemos morrer um dia, e que dia melhor que sacrificar a própria vida por uma boa causa como um dia como este."
Naquela noite, os soldados russos chegaram à residência do Bispo e pediram para as mulheres para  "descascar batatas". O bispo sabia o que significava, pois todos queriam as mulheres. O Bispo Apor enviou os homens e mulheres idosos. Mais tarde, cinco soldados russos voltaram bêbados. Eles viram uma moça e a perseguiram. Vendo isto, o bispo Apor foi até os soldados e gritou: "Fora! Fora daqui! "Os soldados foram para a saída e dispararam contra o bispo. O sobrinho do bispo, que tentou protegê-lo, também foi ferido. O Bispo Apor foi baleado três vezes. Vendo-o, uma das mulheres disse: "Nosso pai, bispo, fizeste isso por nós!" O Bispo Apor respondeu: "De bom grado, de bom grado." Eles levaram o bispo Apor em uma maca ao hospital. Cada vez que ele via os russos, o bispo Apor os abençoava dizendo: "Que Deus os perdoe. Eles não sabem o que estão fazendo."
O Bispo Apor foi operado imediatamente. No domingo de Páscoa, sua saúde se deteriorou. Ele recebeu os últimos sacramentos. Antes de morrer, as pessoas ao redor escreveram sua última mensagem:
"Os meus sinceros cumprimentos aos meus padres. Que eles permaneçam fiéis à Igreja! Eles devem pregar o Evangelho com coragem, ajudar a reconstruir a nossa infeliz Pátria e levar nossas pobres e desencaminhadas pessoas de volta ao caminho certo. Eu ofereço todos os meus sofrimentos para compensar meus próprios pecados, e também para os meus sacerdotes, meus seguidores, os líderes do país e os meus inimigos! Peço a Deus para não responsabilizá-los pelos pecados cometidos contra a Igreja em sua cegueira. Eu ofereço meus sofrimentos pela minha amada Hungria, e para o mundo inteiro. Santo Estêvão, rogai pelos pobres húngaros ".
Ele morreu no dia seguinte, na segunda-feira de Páscoa, pela segurança de seu rebanho.

Extraído de http://20thcenturymartyrs.blogspot.com/
Tradução: Emerson de Oliveira

Necessário conhecer: S. Jerônimo, um polêmico pioneiro da tradução da Bíblia

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011


Em 8 de abril de 1546, o Concílio de Trento decretou que a Vulgata latina “é aprovada pela Igreja [Católica] . . . e que ninguém ouse ou atreva-se a rejeitá-la, sob qualquer pretexto”. Embora tivesse sido completada mais de mil anos antes, a Vulgata e seu tradutor, Jerônimo, foram o centro de controvérsias durante muito tempo. Quem foi Jerônimo? Por que ele e sua tradução da Bíblia eram polêmicos? Como a sua obra influencia a tradução da Bíblia atualmente?

A formação de um erudito
O nome latino de Jerônimo era Eusebius Hieronymus. Ele nasceu por volta de 346, em Strido, na província romana da Dalmácia, perto da atual fronteira da Itália com a Eslovênia. Seus pais tinham uma boa situação financeira e, desde bem jovem, ele experimentou as vantagens do dinheiro, sendo educado em Roma pelo renomado gramático Donato. Jerônimo mostrou ser um talentoso estudante de gramática, retórica e filosofia. Nesse período, ele começou também a estudar grego.
Após deixar Roma em 366, Jerônimo ficou vagueando e, finalmente, foi parar em Aquiléia, Itália, onde lhe foi apresentado o conceito do ascetismo. Atraídos pelas idéias de extrema abnegação, ele e um grupo de amigos passaram os anos seguintes desenvolvendo um modo de vida ascético.
Em 373, um inexplicável transtorno fez o grupo dissolver-se. Desiludido, Jerônimo vagueou na direção leste através da Bitínia, Galácia, Cilícia e finalmente chegou à Antioquia, Síria.
A longa jornada cobrou o seu tributo. Exausto e com a saúde fraca, Jerônimo quase foi vencido pela febre. “Oh! se tão somente o Senhor Jesus Cristo me transportasse subitamente até tu”, disse ele, escrevendo a um amigo. “Meu pobre corpo, fraco, mesmo quando estou bem, tem sido despedaçado.”
Como se não bastassem a doença, a solidão e os conflitos internos, logo Jerônimo se confrontou ainda com outra crise — uma crise espiritual. Ele sonhou que foi “arrastado perante a cadeira de juiz” de Deus. Quando perguntado sobre a sua identidade, Jerônimo respondeu: “Eu sou cristão.” Mas o que estava presidindo retrucou: “Tu mentes, és seguidor de Cícero e não do Cristo.”
Até aquela ocasião, a paixão de Jerônimo pelo aprendizado centralizava-se principalmente no estudo dos clássicos pagãos, em vez de na Palavra de Deus. “Sentia-me atormentado”, disse ele, “pelo fogo da consciência”. Na esperança de endireitar a questão, Jerônimo fez um voto durante o sonho: “Senhor, se eu algum dia possuir novamente livros seculares ou se porventura os ler novamente, terei renegado a Ti.”
Mais tarde, Jerônimo argumentou que não poderia ser responsabilizado por um voto feito num sonho. Ainda assim, estava determinado a cumpri-lo — pelo menos em princípio. Por isso, Jerônimo partiu de Antioquia e procurou isolar-se em Cálcis, no deserto da Síria. Vivendo como um eremita, ele aprofundou-se no estudo da Bíblia e de publicações teológicas. Jerônimo disse: “Leio os livros de Deus com um zelo maior do que o que eu havia dedicado aos livros dos homens.” Ele também aprendeu o idioma siríaco local e começou a estudar hebraico com a ajuda de um judeu que se havia convertido ao cristianismo.

Comissionado pelo papa
Após cerca de cinco anos de vida monástica, Jerônimo voltou a Antioquia para continuar seus estudos. Mas ao chegar, ele encontrou a Igreja profundamente dividida. Realmente, enquanto ainda estava no deserto, Jerônimo havia recorrido ao Papa Dâmaso em busca de conselho, dizendo: “A Igreja está dividida em três facções, cada qual ávida para que eu a apóie.”
Com o tempo, Jerônimo decidiu juntar-se a Paulino, um dos três homens que havia reivindicado o título de bispo de Antioquia. Jerônimo concordou em ser ordenado por Paulino com duas condições. Primeira, ele queria ser livre para dedicar-se às suas ambições monásticas. E segunda, ele insistiu em permanecer isento de quaisquer obrigações sacerdotais de ministrar em determinada igreja.
Em 381, Jerônimo acompanhou Paulino ao Concílio de Constantinopla e depois seguiu viagem com ele até Roma. O Papa Dâmaso logo reconheceu a erudição e a habilidade linguística de Jerônimo. Dentro de um ano, Jerônimo foi elevado à prestigiosa posição de secretário particular de Dâmaso.
Como secretário, Jerônimo não se esquivava das controvérsias. Ao contrário, ele parecia atraí-las. Por exemplo, ele continuou a viver como asceta no meio da suntuosa corte papal. Além disso, promovia seu estilo de vida austero e falava aberta e veementemente contra os excessos mundanos do clero, o que lhe rendeu um bom número de inimigos.
Mas apesar de seus críticos, Jerônimo recebeu pleno apoio do Papa Dâmaso. O papa tinha bons motivos para incentivar Jerônimo a continuar suas pesquisas bíblicas. Naquela época, usavam-se muitas versões da Bíblia em latim. Muitas delas foram traduzidas sem nenhum cuidado e tinham erros flagrantes. Outra preocupação de Dâmaso era que os domínios oriental e ocidental da Igreja estavam sendo divididos por causa dos idiomas. Poucos compreendiam o latim no leste; e um número ainda menor compreendia o grego no oeste.
Por isso, o Papa Dâmaso estava ansioso por uma tradução revisada dos Evangelhos, em latim. Ele queria uma tradução que refletisse o grego original de maneira exata, mas que tivesse um latim eloquente e claro. Jerônimo era um dos poucos eruditos que poderiam fazer uma tradução assim. Sua fluência no grego, latim e siríaco, e seu conhecimento razoável do hebraico, o tornavam bem-qualificado para o trabalho. Então, comissionado por Dâmaso, Jerônimo deu início a um projeto que consumiria mais do que os próximos 20 anos de sua vida.

Aumenta a polêmica
Embora fosse rápido na tradução dos Evangelhos, Jerônimo demonstrava claramente uma técnica erudita. Comparando todos os manuscritos gregos então disponíveis, ele fez correções tanto no estilo como no sentido do texto em latim, com o objetivo de harmonizá-lo ainda mais com o texto grego.
A tradução que Jerônimo fez dos quatro Evangelhos foi bem aceita de modo geral, assim como a revisão que fez dos Salmos, em latim, com base no texto da Septuaginta grega. Mesmo assim, ainda havia os que o criticavam. “Certas criaturas desprezíveis”, escreveu Jerônimo, “estavam deliberadamente atacando-me com a acusação de que eu me empenhara em corrigir passagens nos Evangelhos, contra a autoridade dos antigos e a opinião do mundo inteiro”. Essas denúncias intensificaram-se após a morte do Papa Dâmaso, em 384. Por não ter um relacionamento muito favorável com o novo papa, Jerônimo decidiu deixar Roma. Mais uma vez, ele rumou para o leste.

A formação de um erudito em hebraico
Em 386, Jerônimo estabeleceu-se em Belém, onde permaneceria pelo resto de sua vida. Ele foi acompanhado por um pequeno grupo de leais seguidores, incluindo Paula, uma mulher rica da nobreza romana. Paula adotou o modo de vida ascético em resultado da pregação de Jerônimo. Com o apoio financeiro dela, estabeleceu-se um mosteiro sob a direção de Jerônimo. Ali ele continuou com seu trabalho erudito e completou a maior obra de sua vida.
Morar na Palestina proporcionou a Jerônimo a oportunidade de melhorar sua compreensão do hebraico. Ele pagou a diversos tutores judeus para ajudá-lo a entender alguns dos aspectos mais difíceis do idioma. Mas mesmo com um tutor, não foi fácil. Falando a respeito de um professor, Baraninas de Tiberíades, Jerônimo disse: “Quanta dificuldade e quantas despesas tive para conseguir que Baraninas me ensinasse sob o manto da noite!” Por que estudavam à noite? Porque Baraninas temia o que a comunidade judaica poderia pensar de sua associação com um “cristão”!
Nos dias de Jerônimo, os judeus costumavam zombar dos gentios que falavam hebraico por não conseguirem pronunciar os sons guturais da maneira correta. Mesmo assim, após muito empenho, Jerônimo conseguiu dominar esses sons. Ele ainda transliterou um grande número de palavras hebraicas para o latim. Isso não somente o ajudou a lembrar-se das palavras, mas também preservou a pronúncia hebraica daquele tempo.

A maior polêmica de Jerônimo
Não sabemos o quanto da Bíblia o Papa Dâmaso pretendia que Jerônimo traduzisse. Mas não há muita dúvida sobre como Jerônimo encarava o assunto. Ele era muito dedicado e determinado. Tinha o forte desejo de produzir algo que fosse “útil para a Igreja, digno da posteridade”. Por isso, decidiu fazer uma tradução revisada da Bíblia inteira para o latim.
No caso do Velho Testamento, Jerônimo pretendia basear seu trabalho na Septuaginta. Muitos encaravam essa versão grega do VT, originalmente traduzida no terceiro século a.C., como diretamente inspirada por Deus. Por isso, a Septuaginta tinha ampla circulação entre os cristãos que falavam grego naquela época.
Mas à medida que prosseguia com seu trabalho, Jerônimo encontrou discrepâncias entre os manuscritos gregos, similares às que havia encontrado em latim. Sua frustração aumentou. Finalmente, ele chegou à conclusão que para produzir uma tradução confiável, teria de deixar de lado os manuscritos gregos, incluindo a mui reverenciada Septuaginta, e recorrer diretamente ao texto hebraico original.
Essa decisão gerou protestos. Alguns tacharam Jerônimo de falsificador do texto, profanador de Deus, abandonando as tradições da Igreja em favor dos judeus. Até Agostinho — o principal teólogo da Igreja naquele tempo — implorou para que Jerônimo voltasse a usar a Septuaginta, dizendo: “Se a sua tradução começar a ser mais comumente lida em muitas igrejas, será aflitivo que, ao ler as Escrituras, deverão surgir diferenças entre as igrejas de língua latina e as de língua grega.”
Na verdade, Agostinho temia que a Igreja pudesse dividir-se caso as igrejas ocidentais usassem o texto de Jerônimo, em latim — baseado nos textos hebraicos —, ao passo que as igrejas gregas do leste ainda usavam a versão Septuaginta. Além disso, Agostinho manifestou dúvidas quanto a abandonar a Septuaginta em favor de uma tradução que somente Jerônimo podia defender.
Qual foi a reação de Jerônimo diante de todos esses contestadores? Como era de seu feitio, ele os ignorou. Continuou seu trabalho diretamente do hebraico e, em 405, ele já tinha terminado sua Bíblia em latim. Anos mais tarde, sua tradução foi chamada de Vulgata, o que se refere a uma versão comumente aceita (o termo latino vulgatus significa “comum, aquilo que é popular”).

Consecuções de longo alcance
A tradução que Jerônimo fez do Velho Testamento foi muito mais do que uma revisão dum texto existente. Ela mudou o rumo do estudo e da tradução da Bíblia para as gerações futuras. “A Vulgata”, disse o historiador Will Durant, “continua sendo o maior e mais influente feito literário do quarto século”.
Embora Jerônimo tivesse uma língua afiada e uma personalidade contenciosa, ele redirecionou sozinho a pesquisa bíblica para o texto hebraico inspirado. Com uma visão aguçada, ele estudou e comparou antigos manuscritos gregos e hebraicos da Bíblia que não estão mais disponíveis atualmente. Seu trabalho também precedeu o dos judeus massoretas. Assim, a Vulgata é uma valiosa referência para se comparar traduções alternativas de textos bíblicos.
Os que amam a Palavra de Deus podem valorizar os empenhos diligentes desse polêmico pioneiro na tradução da Bíblia. Jerônimo realmente atingiu seu objetivo — produziu algo “digno da posteridade”.

Nem todos os historiadores estão de acordo sobre as datas e a sequência dos eventos na vida de Jerônimo.
O resultado foi que a tradução de Jerônimo se tornou a Bíblia básica para a cristandade ocidental, ao passo que a Septuaginta continua a ser usada na cristandade oriental até hoje.

Extraído de revistas cristãs

Conheça a casa onde Dom Bosco viveu

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


                   

Primeiros cristãos: a casa dos santos João e Paulo

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011



Descoberta em Roma a casa (que está embaixo de uma antiga basílica) dos santos João e Paulo, irmãos que foram martirizados por Juliano, o Apóstata por terem se recusado a adorar a Júpiter e distribuir bens aos pobres.

Dica de filme: "Moscati - O doutor que virou santo"

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

No post anterior (Son of Rambow) falei que, na grande maioria das vezes, assisto a filmes por diversão. Moscati não é um desses casos. Trata-se de um filme italiano católico, feito para a TV, sobre a vida do Dr. Giuseppe Moscati (1880-1927), médico de Nápoles, canonizado em 1987 pelo Papa João Paulo II.
Assisti como um programa de formação religiosa, e assim é necessário encarar a obra para poder dela usufruir. Isso porque esses filmes religiosos normalmente são bastante deficientes no aspecto técnico, e a história é tão tradicional quanto possível. Deixando de lado este aspecto, concentro-me no Dr. Morati e nas razões que o levaram à santidade. Tratava-se, segundo conta a película, de um médico bastante inteligente, competente e, em especial, obstinado. Tinha, ademais, um diferencial: o amor.
Uma escolha interessante do roteiro é o fato de que o longo filme – cerca de 200 minutos – passa todo o tempo mostrando o médico imerso no seu trabalho. Ele é santo, mas um santo no seu trabalho, um santo que fez as escolhas durante toda a sua vida, que empregou os talentos que Deus lhe deu. Há apenas uma cena que mostra o médico rezando: ele está diante de uma imagem de Jesus morto, coberto com o sudário, pedindo que o Senhor se mostrasse para ele. E Jesus se revela nos doentes.
Causou uma revolução no hospital em que foi trabalhar no início da sua carreira ao tratar os pacientes com carinho, ao ir ao encontro das pessoas mais miseráveis, chegando a acolher doentes em sua própria casa. Com o passar do tempo, vai abrindo mão de sua própria vida – perde a noiva linda e rica, deixa passar a oportunidade de se tornar professor universitário, um dos seus sonhos, se desfaz dos bens que herdou dos pais, perde a própria saúde. Tudo em prol da sua fé e da certeza de que Jesus, como ele suplicara, se revelava nos doentes e necessitados.
Compartilho a crença do médico: o amor é maior que tudo, porque o amor é Deus. Se eu acreditar nisso, só posso fazer o bem, porque nenhum bem nasce fora do amor.
Ser santo não é algo inalcançável ou reservado a freiras, padres e eremitas de séculos atrás. Nos tempos atuais, vivendo neste mundo – mas não sendo seduzido por ele – é possível ser santo. E isso significa buscar incessantemente fazer a vontade de Deus. Não é ser perfeito, mas buscar a perfeição. Não é não pecar, mas lutar incansavelmente contra o pecado. E, acima de tudo, amar. O verdadeiro – e único – amor.

Fonte: http://catalisecritica.wordpress.com

José Sánchez del Río

domingo, 26 de setembro de 2010

Quando ouvimos falar dos santos normalmente pensamos em adultos, mas também houve jovens católicos que foram canonizados. Santa Maria Goretti e São Domingos Sávio são alguns dos melhores exemplos. No entanto, há um jovem mártir mexicano que está a caminho de se tornar um santo. O nome dele é José Sánchez del Río. Eis a sua história:

Sanchez del Rio nasceu em 28 de março de 1913 e faleceu no dia 10 de fevereiro de 1928.
Seu martírio foi testemunhado por dois amigos de infância. Um deles, o Pe. Marcial Maciel, que mais tarde fundou os Legionários de Cristo, revelada em seu livro Minha vida é Cristo, que Sanchez del Rio foi 'capturado por forças do governo', que exigia que ele 'renunciasse à sua fé em Cristo, sob ameaça de morte. José se recusou a aceitar a apostasia.
Assim eles cortaram a ponta de seus pés e o obrigaram a caminhar em volta da cidade em direção ao cemitério", escreve o pe. Maciel. "Ele chorou e gemeu de dor, mas ele não desistiu. Às vezes eles o paravam e diziam: 'se você gritar 'Morte a Cristo Rei' vamos poupar sua vida. ' Jose Luis finalmente morreu gritando 'Viva Cristo Rei', enquanto seus assassinos dispararam sobre ele."

Santa Mônica - AmericanCatholic.org

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

As circunstâncias da vida de Santa Mônica poderia ter feito dela uma esposa ranzinza , uma nora amarga e desesperada, mas ela não cedeu a qualquer uma dessas tentações. Embora fosse cristã, seus pais lhe deram em casamento a um pagão, Patrício, que viveu em sua cidade natal, Tagaste, no Norte de África . Patrício tinha algumas características boas, mas ele tinha um temperamento violento e era licencioso. Mônica também teve de suportar com uma intratável sogra que vivia em sua casa. Patrício criticou sua esposa por causa de sua caridade e piedade , mas sempre a respeitava. As orações e exemplo de Mônica finalmente ganharam seu marido e sogra para o cristianismo. Seu marido morreu em 371, um ano após o seu batismo .

Monica tinha pelo menos três filhos que sobreviveram à infância. O mais velho, Agostinho, é o mais famoso . No momento da morte de seu pai , Agostinho tinha 17 anos e era um estudante de retórica em Cartago. Mônica estava angustiada ao saber que seu filho tinha aceitado a heresia maniqueísta e estava vivendo uma vida imoral. Por um tempo, ela se recusou a deixá-lo comer ou dormir em sua casa. Então, certa noite ela teve uma visão que lhe assegurou que Agostinho retornaria à fé. A partir desse momento ela ficou perto de seu filho, orando e jejuando por ele. Na verdade, muitas vezes ela ficou muito mais perto do que Agostinho queria.

Quando estava com 29 anos , Agostinho decidiu ir a Roma para ensinar retórica. Mônica estava determinada a ir junto. Uma noite ele disse à mãe que ia para o cais dizer adeus a um amigo. Em vez disso, ele partiu para Roma. Mônica ficou inconsolável quando soube do truque de Agostinho, mas ela ainda o seguia. Ela chegou a Roma apenas para descobrir que ele tinha ido à Milão . Embora a viagem foi difícil, Mônica o perseguiu até Milão.

Em Milão, Agostinho ficou sob a influência do bispo Ambrósio , que também tornou-se diretor espiritual de Mônica. Ela aceitou seu conselho em tudo e teve a humildade de abrir mão de algumas práticas que se tornou uma segunda natureza para ela (ver citação abaixo). Mônica se tornou líder das mulheres devotas em Milão como tinha sido em Tagaste .

Ela continuou suas orações para Agostinho durante seus anos de instrução. Na Páscoa de 387 , Santo Ambrósio batizou Agostinho e vários de seus amigos. Logo depois, seu partido partiu para a África. Embora ninguém tivesse conhecimento disso , Mônica sabia que sua vida estava perto do fim. Ela disse para Agostinho: 'Filho, agora nada neste mundo me dá prazer. Eu não sei o que ainda falta para fazer ou porque eu ainda estou aqui, todas as minhas esperanças neste mundo estão sendo cumpridas agora'. Ela ficou doente logo depois e sofreu gravemente por nove dias antes de sua morte .

Quase tudo o que sabemos sobre a Santa Mônica está nos escritos de Santo Agostinho, em especial o seu Confissões.

Comentário:

Hoje, com pesquisas na Internet, compras por e-mail e crédito imediato, temos pouca paciência para as coisas que levam tempo. Da mesma forma, queremos respostas imediatas às nossas orações. Mônica é um modelo de paciência. Seus longos anos de oração, juntamente com um forte carácter e bem disciplinado, finalmente levaram à conversão de seu rude marido, sua rabugenta sogra e seu filho brilhante, mas rebelde, Agostinho.

Citação:

Quando Mônica se mudou do norte da África com destino a Milão, ela achou que as práticas religiosas eram novas para ela e também que alguns dos seus antigos costumes , como o jejum do sábado, não eram comuns lá. Ela pediu conselhos a S. Ambrósio sobre o que fazer. Sua resposta foi clássica : 'Quando eu estou aqui, eu não jejuo no sábado, mas jejuo quando estou em Roma, faça o mesmo e siga sempre o hábito e a disciplina da Igreja, como é observado na localidade em que você se encontra.'

Padroeira:

Alcoólicos
Mulheres casadas
Mães

Fonte: AmericanCatholic.org
Tradução: Emerson de Oliveira